sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

ENTREVISTA COM O POETA HÉLIO SOARES -- COORDENADOR DO PROJETO CORDEL NO SHOPPING

O entrevistado, Hélio Gomes Soares, nos fala de sua luta em defesa da cultura popular e das razões que o fizeram renunciar à vice-presidência da ANLIC.
GILBERTO: Caro poeta Hélio Soares, além de poeta, você é um grande apologista e defensor da cultura popular. Quando percebeu seu talento para a poesia e  teve início sua batalha pela cultura?

HÉLIO SOARES: Sim, me considero um defensor da cultura do povo. Tenho me envolvido em movimentos de bairro e na política partidária, fazendo opção por um partido de vanguarda e de oposição (hoje o PT não é mais oposição, e lamentavelmente largou suas origens). Queria com isso fortalecer a luta em defesa dos trabalhadores e dos menos favorecidos da nossa sociedade. Levei esse propósito para a luta sindical, onde cheguei a ser Presidente do Sindicato  dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no RN - SINTSEF/RN. Decepcionado com a política, encontrei no movimento cordelista oportunidades para promover a mobilização e a consciência crítica, tanto da categoria como a do povo. Com isso me interessei efetivamente pela poesia popular, a partir de 2007. Na verdade, tenho mais me identificado como escritor de poesia de cordel do que propriamente poeta cordelista, no entendimento de que o poeta é o que declama naturalmete, sem ajuda do folheto.

GILBERTO: Qual a importância do cordel nos dias atuais? É hoje tão importante quanto o foi em tempos passados?

HÉLIO SOARES: Cada tempo tem sua história específica, seu momento singular. A importância do cordel no tempo é relativa. Nos dias atuais, vejo a cultura cordelista ocupando outras abordagens e espaços: O cordel na escola, atuando como recurso pedagógico; no shopping, compartilhando mercado com outras literaturas; no hospital, servindo de instrumento terapêutico; na política, pedindo voto ou reivindicando melhorias sociais e etc. No passado, o cordel levou os fatos que se sucediam nos grandes centros urbanos aos povoados distantes. Promoveu o exercício da leitura (ainda hoje promove) e exerceu, de certa forma, o papel da comunicação social, que hoje é desempenhado com tanta competência, através das novas tecnologias.  Mas essa importância ainda permanece viva no cordel da era da tecnologia virtual. Vejo folhetos provocando o debate sobre a realidade social, levando a informação e o conhecimento de maneira graciosa. Vejo o cordel ser útil nos processos terapêuticos, educativos e como alternativa de lazer e entretenimento, numa sociedade carente de paz e de qualidade de vida.    

GILBERTO: Fale-nos de sua profissão e sobre as atividades que desenvolve para tornar o cordel cada vez mais conhecido e apreciado.

HÉLIO SOARES: Sou servidor público federal. Como autônomo, sou arquiteto. Além disso, tenho formação em Administração,  licenciatura em Ciências da Religião, especialização em Educação Ambiental e também em Educação Holística e Qualidade de Vida. Hoje estudo Gestão de Políticas Públicas na UFRN. Como servidor que fui da Superintendência do Patrimônio da União, colaborei na coordenação do Projeto Orla, onde levei o cordel às praias, para  servir de instrumento informativo e pedagógico. Essas experiências acadêmicas e profissionais têm contribuido para com a qualidade da informação dos folhetos que produzo, e facilitado alguns contatos estratégicos para a inserção do cordel em espaços, que antes não era permitido. Dessa forma, com um pouco também de ousadia, tenho levado a cultura cordelista para um mercado sofisticado, como são os shoppings, onde desenvolvo o Projeto Cordel no Shopping, entrando já no terceiro ano de sua edição.


GILBERTO: Um de seus grandes sonhos era ver constituída uma academia estadual voltada para a Literatura de Cordel, nos moldes da ABLC. O sonho foi realizado. Que pessoas tiveram maior empenho para que isso se tornasse possível? 

HÉLIO SOARES: Permita-me uma correção: Não sonhava com uma academia nos moldes da ABLC. Acho até que a cidade onde ela está localizada não corresponde aos reais desejos dos poetas do povo. O Rio de Janeiro não tem tradição em cordel. O lugar de uma academia nacional seria aqui no nosso Nordeste. Outra correção: Meu sonho também não foi realizado com a criação da Academia Norte-Rio-Grandense de Cordel. A forma pela qual ela fora construída, sem o debate mais amplo, com a participação dos poetas do interior, não condiz com o que sonhei. O autoritarismo que já ronda nas decisões de alguns "mandões", membros da Diretoria, também me decepcionou. 

GILBERTO: Você foi eleito vice-presidente da ANLIC (Academia Norte-Riograndense de Literatura de Cordel). Todavia, mal tomou posse, pediu renúncia do cargo. Quais as razões que o levaram a isso? Como se sente após tais episódios?

HÉLIO SOARES: Sinto-me aliviado por sair de uma instituição, onde alguns obedecem cegamente a ordem de alguém autoritário, ultra-conservador e incompetente de promover a união e a solidariedade da categoria. Como já falei, desenvolvo  um projeto que promove a cultura solidária de cordel (Cordel no Shopping), cujos encontros ocorrem uma vez por mês, na Livraria Siciliano (hoje Saraiva), às 19:00h, onde este ano entra na sua terceira edição. Disse que pretendia homenagear os saudosos poetas que se tornaram patronos da ANLIC, com a participação dos seus familiares. A programação do evento seria combinado com a família do patrono e com o seu respectivo poeta acadêmico. A idéia não foi aceita por um dos dirigentes que se acha dono da Academia, e daí ele procurou detoná-la, pressionando a Presidenta para proibir tal iniciativa. Argumentaram outros que esse tipo de homenagem é de exclusividadade da Academia. Um outro dirigente sugeriu a proibição de qualquer acadêmico nos eventos que tratassem dessas homenagens, no Cordel no Shopping. Em contrapartida, argumetei que o Cordel no Shopping é uma iniciativa independente, autônoma, e que nenhum colega deva agir contrário a sua vontade. Acrescentei que a Academia é livre para fazer as suas homenagens como achar melhor, mas que ela não tem o direito de proibir que o Cordel no Shopping realize também as suas. Com isso, fui acusado de provocador, anti-ético e criador de fatos sem nexos com a verdade. Assim, para o bem da cultura cordelista, não tive outra alternativa, a não ser apresentar a minha renúncia, tanto do cargo de Vice-Presidente como da condicão de membro daquela instituição.

GILBERTO: Qual o mais difícil a seu ver: criar a ANLIC  ou mantê-la (leve em conta aspectos financeiros e de relacionamento)?

HÉLIO SOARES: Não esperava que a criação dessa Academia fosse dessa forma, tão apressada, sem discussão ampla, sem a participação dos poetas, principalmente, do interior do Estado. Assim é fácil criar qualquer instituição. Mas digo que, tanto no processo da criação como na manutenção, tem os aspectos financeiros e de relacionamentos, que precisam ser tratados com habilidade e competência adminstrativa, levando em conta a capacidade de liderança, confiança, carisma, honestidade e outros valores subjetivos da pessoa. Em diversos debates ocorridos durante a fase das escolhas dos acadêmicos, fui voto vencido. 

GILBERTO: Dos que foram eleitos, conheço pessoalmente José Acaci, Crispiniano Neto e Xexéu. Sei que Antônio Francisco também foi eleito. Fale-nos sobre estes e outros nomes contemplados e  sobre os critérios de escolha.

HÉLIO SOARES: Todos esses listados acima são merecedores de elogios. Conheço Acaci e Antônio Francisco pessoalmente. Ambos são maravilhosos. O Xexéu é famoso, e demonstrou ser humilde na posse, onde foi muito procurado e aplaudido. Gostei dele. Os demais também têm suas qualidades, mas uns poucos precisam dimunuir a arrogância.

GILBERTO: Que mensagem você daria para os membros da ANLIC? 

HÉLIO SOARES: Que não sintam-se subjugados. Todo poeta deve ser livre.

GILBERTO: Brinde-nos com uma poesia de sua autoria

HÉLIO SOARES:

Importante pra os poetas
É a nossa Academia
Mas que deva dar valor
À plena democracia
Ao respeito das idéias
Como a livre poesia

   Pro cordel não se pebar
   No mando da ditadura
   Não cair no esquecimento  
   Feito múmia em sepultura
   Deve então ter Academia
   Liberdade sem frescura 
    


GILBERTO: Fale-nos de suas obras, dos projetos a curto, médio e longo prazo, deixe-nos suas palavras finais e algum texto para reflexão.

HÉLIO SOARES: Tenho feito alguns cordéis com temas populares. São muito procurados nas feiras e no mercado, de modo geral. Estes, eu tenho doado pra alguns poetas, vendedores de folhetos. Mas os temas da minha preferência são aqueles provocadores da consciência, que questionam a razão das coisas, que promovem a reflexão sobre a realidade. Com a minha desistência da ANLIC, pretendo trabalhar a idéia da Academia de Cordel da Região Metropolitana de Natal, ou simplesmente, Academia Metropolitana, que aglomerá os poetas residentes nos municípios de Natal, Parnamirim, São José de Mipibu, Nísia Floresta, Ceará-Mirim, Estremoz, São Gonçalo do Amarante, Macaíba e Ielmo Marinho, totalizando 9 municípios. Defenderei a proposta de que seus primeiros acadêmicos se tornarão patronos quando morrerem, ou seja, a Metropolitana não terá patronos no momento da sua criação. Também defenderei a proposta de não terá um número fechado de 40 membros, podendo ter mais ou menos. Será exclusiva dos poetas cordelistas. Quanto ao Projeto Cordel no Shopping, pretendo desenvolvê-lo com parcerias, mas afirmo que farei as homenagens a todos os saudosos poetas populares, que estejam ou não vinculados à ANLIC. Estou também trabalhando a idéia de levar a experiência do Cordel no Shopping para o Teatro Alberto Maranhão. Bem, tudo isso será feito com o espírito da solidariedade, pois acho que nós poetas, formadores de opinião, temos o compromisso com as mudanças sociais. Temos que assumir essa responsabilidade para com o social, exercitando a generosidade e promovendo a cultura de paz.     


sábado, 7 de janeiro de 2012

A MENINA DOS OLHOS DE DEUS - Gilberto Cardoso dos Santos



Para o apologista cristão Dwight Moody, deve-se ler a Bíblia como quem come peixe.
Traíra é um peixe muito gostoso, mas tem muitas espinhas. Ler a Bíblia é como comer traíra. Tem que ter cuidado. Falo isso por experiência própria, pois acabei me engasgando com alguns versículos. Mas entre um texto dif icil e outro - principalmente no Velho Testamento - é possível encontrar partes carnudas e deliciosas, como Zacarias 2:8:

"Pois assim diz o Senhor dos exércitos: Para obter a glória ele me enviou às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho.


Hoje, um feirante evangélico que  tem uma perna mais curta que a outra abordou-me. Queria testemunhar.

- Ei, lembra daquela mulher crente que vendia fruta aqui ao lado de minha banca?
- Lembro sim.
- Pois bem. Eu sei que você não é crente, mas é um homem entendido do evangelho. Essa minha banca era maior. Aí, há umas duas ou três semanas eu trouxe essas outras banquinhas pra completar meu espaço. E a irmã não gostou, achou que eu tava tomando o canto dela. Eu fui explicar pra ela que antes minha banca ia até aquela parte mas ela não entendeu e foi chamar o marido. Quando pensei que não chegou o marido dela, brabo, e ele é crente também, olha só como são as coisas... Aí eu fui explicar e quando vi que ele tava se exaltando, querendo partir pra discussão ou até pra briga, comecei a cantar um hino. Aí ele travou...
Bem, pra encurtar a conversa, tá vendo que ela num tá aqui hoje?
- Estou.
- Faz duas semanas que não vem. Eles tão lá todo enrolados.Sabe por quê? O marido dela bateu com o carro num velhinho... torou o pobre do velhinho no meio, rapaz! A sorte deles é que não tiveram nada, mas tão lá aperreados. Olhe só as coisas como é que são. O velhinho tá hospitalizado. Parece que não vai andar mais e ele tá sendo pressionado pela justiça. Tá vendo como Deus é grande? Deus é tremendo, irmão. Volte pra Jesus. O caba que bem pensar nunca mexe com um crente porque a mão de Deus pesa. É ou não é? Olhe aí o exemplo. Veio mexer comigo e olhe no que se meteu! A Bíblia diz, irmão, que nós somos como a menina dos olhos dele. Já leu isso?
- Já.
- Tá vendo como é que são as coisas? Crente é a coisa mais preciosa que Deus tem aqui na terra. Mas, irmão, tem que prestar atenção em quatro letrinhas, você sabe quais são?
- Não.
- O, B, D, C!
- ...
-  Eu vou pra igreja quase todo dia. Medite nisso, irmão. Deus tem um plano pra você e pra sua família.

Quando ia me retirando, resistindo à vontade de contraditá-lo, ouvi sua voz que me incitava a voltar:

- Ei, ei, psiu! Venha cá de novo. Só um instantinho... Tá vendo isso aqui?

- Tô.

- Isso aqui é forte, irmão! Foi ungido pelo apóstolo Valdemiro, da Igreja Mundial. Eu tô lá agora, saí da Assembleia. O crente que anda com isso aqui tá protegido.

E sorriu, enquanto desenrolava carinhosamente uma toalhinha branca onde se lia, em letras azuis negritadas: SÊ TU UMA BÊNÇÃO.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

MINHAS REFLEXÕES E DECISÕES NATALINAS - Gilberto Cardoso dos Santos

   
    
   Ouvia sem querer a música Na Boquinha da Garrafa enquanto relia o texto escrito por André que fala das relações promíscuas entre a imagem de Papai Noel e a Coca-Cola.

   Como uma reflexão puxa outra, pus-me a meditar sobre o que se tornou o Natal, graças à sagacidade dos comerciantes que, através das eras, souberam transformar essa data em um período altamente lucrativo.        Quem já leu algum livro de autoajuda ligado ao tema ou fez cursos do Sebrae sabe que o bom empresário é aquele que vê as oportunidades e as aproveita bem, ou, quando estas não existem, sabe criá-las.

   Imagino que o "sucesso" do cristianismo na metrópole romana e adjacências foi visto pelos vendedores da época como um importante filão a ser explorado. Desde então, e até mesmo antes disso, foram criando meios de tornar este período altamente favorável às vendas. Na própria Bíblia estava a dica, pois fala do primeiro Natal como uma ocasião em que os magos trouxeram ricos presentes ao recém-nascido Jesus. A ideia era fazer, nos natais subsequentes, com que cada celebrante do Natal assumisse o lugar do aniversariante e que, ao mesmo tempo, procedesse como os magos do Oriente presenteando amigos e familiares. Essa troca mútua de dádivas seria a galinha dos ovos de ouro das indústrias.
   Com certeza essa foi uma excelente estratégia que transformou o período anterior a 25 de dezembro - período este cada vez mais próximo dos janeiros dos anos em curso - em um instante de grandes expectativas, profunda ansiedade quanto ao que dar e receber.

   Além das provas de amor  exigidas ao longo de cada ano, há a prova-mor, que faz o ano finalizar com chave de ouro,  capazes de alterar, para bem ou para mal, as relações fraternais, filiais e conjugais.

   Há muita alegria no Natal, mas há também quem sofra bastante, seja pelo presente que não recebeu, seja pelo que não pode dar. Os vendedores, com isto, atingiram  aquele ponto que é alvo de todos os que lucram com o comércio: transformaram o dar presentes em uma questão de consciência, um imperativo do qual não se deve fugir, um pecado contra as relações afetivas em todos os níveis.

   Cônscio de tais manobras, desejoso de quebrar os liames postos por aqueles que me tratam como a um mamulengo, resolvi não presentear ninguém neste natal. Trata-se, evidentemente, de um protesto. Como, porém, sou democrático e costumo respeitar as diferenças, não recusarei as dádivas (ouro, incenso, mirra, tablets...) daqueles que discordam de mim. Além disso, devido os mistérios de sua composição e alto teor de açúcar, evitarei tomar coca-cola neste natal.

  Feliz Natal a todos!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Isso que lhe aconteceu Tem que virar poesia - Gilberto Cardoso dos Santos


(ao poeta Marcelo Girard que passou por um recente problema de saúde devido o estresse)

Marcelo muito tem feito
pra fomentar a cultura
luta com desenvoltura
faz um trabalho perfeito
mas o seu corpo imperfeito
despendeu muita energia
facial paralisia
de um lado o surpreendeu

 Isso que lhe aconteceu
 Tem que virar poesia

Ao próprio sepultamento
ele disse que não vai
portanto, dessa ele sai
porém um pouco mais lento
com certeza mais atento
aos riscos da correria
vai buscar vida sadia
carpe diem é lema seu
Isso que lhe aconteceu
Tem que virar poesia


Que fazer com o limão
 que a vida insiste em nos dar?
 é preciso improvisar
 e buscar evolução
 nada de exasperação
 com o que nos angustia
 respire fundo e sorria
 apesar do que se deu
 Isso que lhe aconteceu
 Tem que virar poesia

De tão pouco precisamos
pra nos tornarmos felizes
muitas vezes só nas crises
esta verdade notamos
no trabalho nos matamos
entregues à histeria
a vida se esvazia
vemos que nada valeu

Isso que lhe aconteceu
Tem que virar poesia

(Gilberto Cardoso dos Santos)

Vejam seu site:  http://poesiamix.com.br/home/index.php?pg=noticia&id=18

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

MUDANÇA NOS 3 PODERES - Gilberto Cardoso dos Santos






Os 3 poderes estão corrompidos
principalmente o judiciário
reformulá-lo faz-se necessário
pra que o país não seja destruído
O juizado foi constituído
para fazer justiça ao cidadão
Mas o que vemos é acepção
e o clamor do pobre injustiçado
Que tal poder seja reformulado
e que se cumpra a Constituição!


Judiciário não judicioso
legislativo que legisla mal
que tem como seu alvo principal
satisfazer a quem é poderoso
O Executivo mostra-se moroso
Há insegurança e crise hospitalar
Não se vê preso quem vive a roubar
em grande escala toda a nação
é necessária uma transformação
os 3 poderes deixam a desejar.

Os 3 poderes estão corrompidos
porque o povo os deixa à deriva
botam na Câmara Legislativa
a candidatos não comprometidos
e os muitos erros que são cometidos
geram somente tímidos protestos
faz-se piadas, poucos manifestos
mas nada muda no pátrio poder
e a nação prossegue a eleger
maus candidatos, vis e desonestos.







Os 3 poderes estão corrompidos
vê-se mil falhas no judiciário
reformulá-lo faz-se necessário
pra que o país não seja destruído
O juizado foi constituído
para fazer justiça ao cidadão
Mas o que vemos é acepção
e o clamor do pobre injustiçado
Que tal poder seja reformulado
e que se cumpra a Constituição!


Judiciário não judicioso
legislativo que legisla mal
que tem como seu alvo principal
satisfazer a quem é poderoso
O Executivo mostra-se moroso
Há insegurança e crise hospitalar
Não se vê preso quem vive a roubar
em grande escala toda a nação
é necessária uma transformação
os 3 poderes deixam a desejar.

Os 3 poderes estão corrompidos
porque o povo os deixa à deriva
botam na Câmara Legislativa
a candidatos não comprometidos
e os muitos erros que são cometidos
geram somente tímidos protestos
faz-se piadas, poucos manifestos
mas nada muda no pátrio poder
e a nação prossegue a eleger
maus candidatos, vis e desonestos.


Se é do povo que vem o poder
ao próprio povo cabe retomá-lo
e com critério de novo outorgá-lo
a quem de fato bem o merecer
se enfatiza muito o dever
mas o direito é negligenciado
somente o rico é beneficiado
e assim impera a corrupção
é necessário reformulação
no poderio que tem o Estado!

(Gilberto Cardoso dos Santos)

Caro poeta Nailson, escrevi a primeira estrofe e fui buscar minha menina. No caminho veio à ideia escrever a segunda estrofe que vc vê acima. Seu comentário, visto posteriormente, procede. Obg pelas observações.








(Gilberto Cardoso dos Santos)

Caro poeta Nailson, escrevi a primeira estrofe e fui buscar minha menina. No caminho veio à ideia escrever a segunda estrofe que vc vê acima. Seu comentário, visto posteriormente, procede. Obg pelas observações.


MUDANÇA NO JUDICIÁRIO - Gilberto Cardoso dos Santos






Os 3 poderes estão corrompidos
principalmente o judiciário
reformulá-lo faz-se necessário
pra que o país não seja destruído
O juizado foi constituído
para fazer justiça ao cidadão
Mas o que vemos é acepção
e o clamor do pobre injustiçado
Que tal poder seja reformulado
e que se cumpra a Constituição!

(Gilberto Cardoso dos Santos)


terça-feira, 1 de novembro de 2011

A MARRETA DO TEMPO É TÃO PESADA QUE A BALANÇA DA VIDA NÃO SEGURA

Em seu livro RETRATO SERTANEJO (publicado em 2008), Hélio Crisanto escreveu:

Entre flores, tropeços e espinhos
vou chegando na casa dos quarenta
nessa estrada longínqua e poeirenta
vou cantando que nem os passarinhos
se derrapo nas curvas dos caminhos
não vacilo e nem perco a compostura
enfrentando batalhas com bravura
vou seguindo feliz na caminhada
A MARRETA DO TEMPO É TÃO PESADA 
QUE A BALANÇA DA VIDA NÃO SEGURA

Hoje, 01.11.2011, já dentro da casa dos quarenta, Hélio completa mais um ano de vida.
O Poeta Adriano Bezerra também comemora hoje mais um aniversário.
Adriano e Hélio não têm  envelhecido passivamente e sim amadurecido. Alguém disse que envelhecer é obrigatório mas "crescer" é opcional.  Inegavelmente, eles têm crescido como poetas e como seres-humanos, têm sido protagonistas na história local.
Nós, da APOESC, os parabenizamos por essa data tão especial em suas vidas e na de seus familiares.

Eis uns versos singelos que faço para os dois:

Parabéns para Hélio e Adriano
por mais este período de existência
duas vidas vividas com decência
mas escravas do tempo soberano
este dia inicia mais um ano
e eu espero que seja de fartura
que se joguem nos braços da cultura
e procurem viver de forma honrada
A MARRETA DO TEMPO É TÃO PESADA 
QUE A BALANÇA DA VIDA NÃO SEGURA

(Gilberto Cardoso dos Santos)




segunda-feira, 31 de outubro de 2011

UM DEZ EM EDUCAÇÃO - Gilberto Cardoso dos Santos



Lula foi bom presidente
muita coisa reformou
e a imagem que deixou
foi de líder eficiente
porém, lamentavelmente,
cedeu à corrupção
não deu total atenção
ao professor que padece
Lula um dez não merece
no quesito educação.

Lula sempre cometia
deslizes gramaticais
ele sempre estava atrás
das regras da ortografia
de verbos pouco sabia
fazer a conjugação
mas das verbas da nação
se esperava que soubesse
Lula um dez não merece
no quesito educação.

Dilma vai na mesma linha
com um discurso arrojado
mas o professor, coitado,
leva uma vida mesquinha
O discurso não se alinha
com nossa situação
é dada pouca atenção
e a cultura só decresce
Dilma um dez não merece
no quesito educação.

Também nós, educadores,
deixamos a desejar
pois na hora de lutar
nos levamos por temores
deixamos que os opressores
fiquem firmes no seu "NÃO"
nossa mobilização
de fato não acontece
Nossa classe não merece
um dez em educação.


Esta última estrofe e a mudança no título nasceram depois que recebi de Joelle - diretamente da França de Sarkozis - a seguinte observação:


Gil , vi seu poema sobre "Lula e a educação " ! Comentei !!!
Mas o que não escrevi no blog e que queria dizer pra vc é isso :
Eu percebi ,que todos os poetas escrevem pra denunciar os erros do governo na educação .E eu concordo com isso !
Mas ninguém tem a coragem  de denunciar tb ,os professores que são espectadores da situação sem levantar um dedo ....
Entende o que quero dizer ?
Acho que do mesmo jeito que vcs esclarecem o povo sobre as responsabilidades do governo .... Vcs poderiam pôr os professores
de frente ás responsabilidades deles no assunto. Mas pode ser que eu seja idealista demaissss !!!! kkkkkkk

Mais do que justa a sua crítica, Joelle!




(Gilberto Cardoso dos Santos)


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terça-feira, 25 de outubro de 2011

A RESPEITO DOS FUNGOS - Gilberto Cardoso dos Santos

Importância dos Fungos

Meu Deus, como é bom fungar
no pescoço da amada
talvez a melhor fungada
que um homem pode dar
e não podemos negar
que os interesses humanos
de fungadas fazem planos
quem não funga é infeliz
fungar deseja o nariz
sem isso há desenganos.


Parabéns ao estudante
pois mostrou-se eficiente
na resposta inteligente
provou quanto é brilhante
Pode ser comediante
e muita grana ganhar
se acaso não passar
na prova, que desencanto
e choroso num recanto
com certeza vai fungar!


Gilberto Cardoso dos Santos

A TROCA DOS CONTRACHEQUES - Gilberto Cardoso dos Santos




Coitado do deputado!
à cena não resistiu
quando sobre a mesa viu
seu contracheque trocado
pensou assim: "Tô lascado
com tão pequena quantia
pois isso eu gasto num dia
num momento de lazer
não dá pra sobreviver
ganhando essa mixaria."

E o professor, coitado,
com o contracheque na mão
teve uma grande emoção
depois caiu desmaiado
para o posto foi levado
e o pior aconteceu
taquicardia lhe deu
 e não veio a resistir
morreu sem usufruir
do valor que recebeu.

Meu Deus, como bom seria
se um nobre parlamentar
quisesse o cargo trocar
ao menos durante um dia
penso que entenderia
o drama do professor
que trabalha com ardor
pelo desenvolvimento
sem o reconhecimento
do qual é merecedor.

Gilberto Cardoso dos Santos

Sobre UMA COLCHA CEM RETALHOS



Lí, de Ismael Gaião,
uma Colcha Cem Retalhos
onde não há versos falhos
nem falta a inspiração.
E fiz a constatação
da influência soberana
do Jornal Besta Fubana
sobre este cordelista
que é excelente artista
e grande figura humana.

O livro fala de tudo
de voto e de carnaval
do cigarro, que faz mal,
de poetas sem estudo
de um poeta quase mudo
que antes eu não conhecia
Ismael com maestria
com o leitor se entrosa
numa conversa gostosa
em prosa e em poesia.

Uma colcha bem tecida
volumosa e macia
Ismael traz alegria
em versos cheios de vida
Sua prosa refletida
tem a cara do povão
- fonte de inspiração
para suas produções -
minhas congratulações
para Ismael Gaião.

Gilberto Cardoso dos Santos.

sábado, 15 de outubro de 2011

PARABÉNS, PROFESSOR! - Gilberto Cardoso dos Santos

http://apoesc.blogspot.com/2011/10/dia-do-professor-gilberto-cardoso-dos.html


 
ATENDENTE: Departamento de educação, com quem falo?
PROFESSOR: Aqui quem fala é um professor da escola Alto do Gólgota.
ATENDENTE: Ah, boa tarde, professor. Antes de mais nada, parabéns pelo seu dia, que será amanhã!
PROFESSOR: ...
ATENDENTE: Alô? O senhor ainda está aí? Qual o objetivo de sua ligação?
PROFESSOR: Eu liguei pra saber de minha licença, a qual já faz mais de 6 meses que dei entrada.
ATENDENTE: Ah, certo. Infelizmente não está sendo concedida licença para ninguém que esteja em sala de aula. Só se houver substitutos. O senhor ensina há muito tempo? Já tirou alguma licença?
PROFESSOR: Eu ensino há mais de 20 anos e nunca tirei licença.  Nunca pude tirar.
ATENDENTE: Poxa... Desculpe a curiosidade: é impressão minha ou eu ouvi um barulho aí?
PROFESSOR: Acho que foi minha barriga, não sei. É que agora estamos proibidos de merendar.
ATENDENTE: Ah, tá... Bem, nunca pôde gozar licença?
PROFESSOR: Licença, não.
ATENDENTE: Mas antigamente era mais fácil tirar , não? Houve um tempo em que o professor solicitava e era atendido. Lembra?
PROFESSOR; Verdade. Mas nesse tempo, quem tirava licença perdia parte do salário, lembra? Era a chamada regência de classe. Eu, como ganhava pouco, não podia me dar ao luxo de tirar licença. Além disso, dizia-se que quem não tirava licença seria recompensado com uma aposentadoria mais cedo.
ATENDENTE: Verdade, professor. Graças a Deus que agora, depois da luta do sindicato, o professor pode licenciar-se sem que haja diminuição em seus proventos.
PROFESSOR: Certo. Mas fica difícil por causa do item “implica em substituição”. Eu sou obrigado a arranjar quem me substitua, coisa bastante difícil porque ninguém quer assumir sala de aula. Será que terei que pagar de meu bolso para que alguém me substitua? Vai sair mais caro que no tempo em que tiravam a regência de classe.
ATENDENTE: Verdade... Desculpe a curiosidade, mas o senhor tem alguma razão especial para estar requerendo essa licença?
PROFESSOR: Bem, eu me sinto muito cansado, meio depressivo e pretendia fazer uma viagem para desopilar. Um amigo me convidou para visitá-lo, eu não teria despesas com estadia. Ele mora noutro país, sabe? Seria a viagem dos meus sonhos... Eu ensino história e aproveitaria para visitar alguns museus famosos. O diretor disse que se eu conseguisse por minha conta um substituto ele daria um jeitinho. Como eu ensino em duas escolas, teria que conseguir dois substitutos e convencer a dois diretores e à chefe da Dired. Na verdade, não tenho condições para isso e estaria burlando a lei, não é mesmo?
ATENDENTE : Verdade. Seria uma ilegalidade. A não ser que o senhor falasse com algum político forte ligado ao sistema... aí, quem sabe, o senhor pudesse conseguir isso.
PROFESSOR: Verdade. Mas isso também seria uma ilegalidade, não é mesmo?
ATENDENTE: É... concordo.
PROFESSOR: Pois é. Seria perder uma das poucas coisas que tenho: a dignidade. Conheço alguns colegas cedidos pelo governo para assumirem cargos de confiança noutros departamentos. Estes sempre saem ganhando. Alguns nem dão expediente direito mas, como estão sob a proteção deste ou daquele candidato, podem tudo. Mas eu sou burro. Não gosto de “babar”.
ATENDENTE: Pois é... Como já lhe disse, não está saindo licença para ninguém. Veio uma ordem de cima para suspender todas, pois faltam professores substitutos. De qualquer modo, se o senhor quiser dou uma olhadinha pra ver em que departamento se acha seu pedido. Como é mesmo seu nome?
PROFESSOR: Precisa não. Meu nome é Otávio, mas se quiser trocar o “v” por um “r”, combina mais comigo.
ATENDENTE: Ha! Ha! Ha! O senhor é engraçado. Bem, seu Otávio, mais uma vez receba nossos parabéns pelo seu dia; lembre-se que o seu trabalho é muito importante e essencial para o progresso da nação. Que o mestre dos mestres possa iluminar o seu caminho e torná-lo cada vez mais próspero na execução desta tarefa sublime e sagrada para a qual foi designado...
PROFESSOR: ...
TELEFONE: Tum! Tum! Tum!