
domingo, 24 de abril de 2011
Jadeize Marques e Kleyton

sexta-feira, 22 de abril de 2011
Gregório de Mattos e o plágio

Buscando o Cristo Crucificado um Pecador com Verdadeiro Arrependimento
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas cobertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.
A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.
A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.
Satyra
.....................................................
Doutor Gregorio gadanha,
Pirata do verço alheyo
Callo, que ao mundo tem cheyo
De Satyras, e patranha:
Ja se conheceo a maranha
Das Poezias que vendes
Por tuas, quanto as pertendes
Traduzir de castelhano,
Naõ te envergonhas magano?
.....................................................
Cuida o mundo, que são tuas
As Satyras, que accomodas
Inda que o que vendo a todas
Pode chamar obras suas:
Os rapazes pellas ruas
O andão publicando ja,
E o mundo vaya dedà
Quando vê tal desengano,
Naõ te envergonhas magano?
.....................................................
O soneto que mandaste
Ao Arcebispo elegante
Do de Gongora ao Infante
Ao Cardeal lho furtastes:
Naõ sey como te chamaste
O mestre da Poezia
Furtando mais em hum dia
Que mil ladrões em hum anno.
Naõ te envergonhas mangano?
.....................................................
Falla de ti que so tens
Que fallar de ti Gregorio
A todo o mundo he notorio,
Que tens males, e naõ bens:
Naõ queiras por te aos itens
Com quem sobre castigar te
Sey hade esbofetearte,
E com este desengano
Naõ te envergonhas magano?
sábado, 16 de abril de 2011
Nova Direção na Casa da Cultura
quinta-feira, 14 de abril de 2011
ENTREVISTA A ERIKA ZUZA DA TV CABUGI



domingo, 10 de abril de 2011
CANÇÃO - Cecília Meireles
Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Comentário:
Meu Deus, que poema lindo
que imagens eloquentes
a poeta se faz deusa
seus atos são transcendentes
e o sonho que vai morrendo
vai a nossa alma enchendo
de sentimentos pungentes.
Lágrimas que viram ondas
tentam matar o anseio
e segue o sonho à deriva
no mar que se faz mais cheio
termos comuns, reciclados,
que deixam braços quebrados
no fim de tal devaneio.
(Gilberto Cardoso dos Santos)
POEMINHO DO CONTRA - Gilberto Cardoso dos Santos
No princípio era a flexão
substantiva, em estreito ninho
na gaiola da norma padrão
diminutivo dito com carinho
que perde asas, sua substância
na inusitada e nova circunstância
se torna verbo no "Eu passarinho"
Termo eloquente que não muda a forma
mesmo assim entra em transformação
se torna lei ao violar a norma
é virtuoso em sua transgressão
e sobrevoa todas as barreiras
passarinhando sobre as ribanceiras
para espanto dos que passarão.
O SOL EXISTE
O Sol existe
ainda que seja noite
o Sol existe
por cima de pau e pedra
nuvens e tempestades
cobras e lagartos
o Sol existe
ainda que tranquem o nosso quarto
e apaguem a luz
o Sol existe
Vladimir Maiakovski
Comentário:
Palpável é o não-dito
que este poema contém
algo indizível, bonito
que vai da palavra além
é bobagem aparente
profundamente eloquente
que de bobo nada tem.
Às vezes, nas trevas densas,
me encontro sozinho e triste
se abalam todas as crenças
mas a certeza persiste
que há de raiar novo dia
em meio à treva sombria
eu sei que o sol existe.
(gilberto_kardoso@hotmail.com)
A GARRAFA
A GARRAFA
Que importa o caminho
da garrafa que atirei ao mar?
Que importa o gesto que a colheu?
Que importa a mão que a tocou
-- se foi criança
ou o ladrão
ou filósofo
quem libertou a sua mensagem
e a leu para si ou para os outros?
Que se destrua contra os recifes
ou role no areal infindável
ou volte às minhas mãos
na mesma praia erma donde a lancei
ou jamais seja por olhos humanos
que importa?
...se só de atirá-las às ondas vagabundas
libertei meu destino
da sua prisão?...
Manuel Lopes
Comentário:
Belo poema A Garrafa
valeu por muitos barris
do vinho mais valioso
bebido lá em Paris
veio nas ondas da net
e me tornou mais feliz.
Garrafa enxuta por dentro
e tão molhada por fora
impregnada do eu
de alguém que ao longe chora
me embriagou com palavras
na aridez dessa hora.
(Gilberto Cardoso dos Santos)
LEVANTAMENTO
LEVANTAMENTO (poema do poeta angolano Tomás Jorge)
há-de morrer o tempo
de dar diamantes.
quem os quiser
que os procure
com os próprios olhos
que os desenterre
com as próprias mãos.
contratado!
ergue-te
e põe nos olhos
todo o brilho
dos diamantes
que deste.
Belo poema de Tomás Jorge
é com certeza mui fascinante
colocou ouro no meu alforje
e ofuscou-me qual diamante
com a pepita que garimpou
Tomás cobiças me provocou
fez-me querer ser assaltante.
(Gilberto Cardoso dos Santos)
sábado, 9 de abril de 2011
SER HONESTO NO BRASIL É INCONSTITUCIONAL
pra defender seu mandato,
logo no primeiro ato
tudo é bonito e perfeito.
Diz que é um homem direito,
se agarra à Constituição
e jura a toda nação
que é um homem honesto,
deixando ali seu protesto
contra a corrupção.
Mas a negociação
já está a passos largos
pelas mudanças de cargos...
E adeus Constituição.
É um fazendo pressão,
e outro querendo propina.
Tudo por trás da cortina
ou por debaixo do pano.
Entra ano e chega ano
e a coisa vira rotina.
Há poucos meses atrás
só não ouviu quem não quis,
que esse nosso país
estava com todo gás.
Arrecadando bem mais
que muitos outros países,
e que as novas diretrizes
que nunca antes se viu,
deixaram nosso Brasil
imune a todas as crises.
Mas crise é só o que avança
aqui na nossa nação:
tem crise na educação,
tem crise na segurança,
na saúde da criança,
nos leitos dos hospitais,
nas estradas federais,
nos transportes e nos portos,
crise nos aeroportos,
e escolas municipais
por trás da imunidade,
e o jogo da impunidade
nosso país ta perdendo,
e quem tem olho ta vendo
a crise na juventude
e o crack, de forma rude,
destruindo nossos lares,
e os nossos parlamentares
sem tomar uma atitude.
Tem crise nos bastidores
desses hospitais lotados.
Brasileiros humilhados,
jogados nos corredores.
E no excesso de assessores
desse político ladrão,
esse mesmo cidadão
que num primeiro momento
fez um belo juramento
ante a Constituição.
Uma nova lei foi criada
pra não deixar eleger
e não botar no poder
quem fizesse coisa errada.
Mas a nossa pátria amada
foi vítima de um novo ato,
que nos mostrou o retrato
dessa turma que garimpa:
nossa lei da ficha limpa
ficou pra outro mandato.
Com tanta politicagem,
tanto roubo, safadeza,
falcatrua, esperteza,
extorsão e malandragem,
só falta vir a mensagem
do Senado Federal,
que nesse tempo atual,
de uma maneira sutil,
ser honesto no Brasil
é inconstitucional
Autor: José Acaci
sábado, 2 de abril de 2011
FM SANTA RITA NA NET
A FM Santa Rita
Que dá voz aos esquecidos
Tem feito obra inaudita
Em favor dos excluídos
Denunciando dilemas
Corrupções e problemas
Sociais não resolvidos.
2
E foi graças à ação
Resistente e libertária
Que saiu a concessão
da rádio comunitária
graças a Hugo Tavares
traz a FM aos lares
programação solidária.
3
Por ela veio a ser preso
Porém firme resistiu
Não se mostrou indefeso
Com sua voz reagiu
E após batalhas diversas
Venceu forças adversas
E à rádio conseguiu
Um dos sócios-fundadores
Da Rádio Comunitária
Falou-me dos seus labores
Da luta quase diária
Que Hugo empreendeu
Até que prevaleceu
Contra a força monetária
5
As conquistas sociais
Que Hugo tem alcançado
Provam do que é capaz
Esse poeta arretado
Naquilo que empreende
Ele sempre surpreende
o sucesso é alcançado.
(Estrofes extraídas de meu cordel sobre a vida de Hugo Tavares)