Como se não bastassem as ondas de assaltos, furtos e assassinatos em Santa Cruz, temos também os crimes virtuais.
Na semana passada, 11, quando fui fazer o boletim de ocorrência do sumiço de minha biz, enquanto aguardava o atendimento, meu celular tocou.
Uma voz de barítono disse-me que sabia onde estava minha moto. Perguntou-me se estava disposto a pagar determinada quantia para reavê-la. Enquanto conversávamos, coloquei no viva voz e avisei por gestos ao policial Valmir o que estava ocorrendo. O cara deu detalhes da praça; disse que deixaria a biz diante do shopping, em frente à lojinha de DVDs. Mas antes eu deveria fazer um depósito na Casa Lotérica, numa conta que ele me passaria. A conta seria de uma pessoa falecida, de quem ele guardava o cartão e a senha.
Disse-lhe que estava muito grato, que nem importava saber quem era. Apenas queria que ele deixasse a biz em determinado lugar. Em seguida eu faria o depósito. Expliquei-lhe que era apenas por precaução, só para ter certeza que não se tratava de um trote, pois alguém poderia ter visto os dados sobre o shopping e a praça nalgum blog, bem como meu telefone (afinal, como ele teria conseguido meu número?).
Ele retrucou:
- Blog? O que é isso?
Expliquei-lhe que me referia à Internet, mas ele, tentando mostrar-se desatualizado disse “Não sei o que é isso não, moço.”
Fui conversando com ele, seguindo as orientações do policial, até que a ligação caiu. Era um trote.
Depois conferi e descobri que o número era de Brasília.
Abalado como estava, poderia ter sido fácil cair na conversa dele. Ainda bem que desconfiei.
Uma amiga minha, a quem muito prezo, caiu numa dessas. Pessoas que têm o coração bom, generosas, caem facilmente nesses golpes. O excesso de bondade as torna vulneráveis, mais que os outros.
A conversa foi mais ou menos assim:
- Olá, prima, tudo bem? Que bom falar com você...!
- Olá... mas qual é o primo com quem tô falando?
- Não acredito não, prima! Não vá dizer que não está reconhecendo minha voz!
- É Paulinho?
- Isso mesmo, prima! Eu sabia que você ia reconhecer. Que saudade!
- Diga aí, Paulinho! Quanto tempo! Como vai a família, tá bem?
- Tá tudo bem, prima... mas eu tô ligando por causa de um probleminha. É que eu tô indo aí pra sua região, mas aconteceu uma zebrinha durante a viagem. Tô precisando de mil e quinhentos reais pra consertar o carro... blá bla blá
E o depósito foi feito.
Imagine a dor da perda de um dinheiro conseguido a duras penas e, principalmente, a tristeza por ter sido feito de idiota. Essas pessoas não são dignas de crítica. Qualquer um, dependendo do momento e da habilidade de quem está do outro lado da linha, pode cair numa dessas.
Soube, através do BLOG DE HÉLIO SILVA de outra que perdeu mais dois mil reais numa dessas conversinhas de pé de ouvido.
Todo cuidado é pouco. Vivemos numa selva tecnológica e muito temos a temer dos da mesma espécie.
Se acaso receber algum telefonema falando de sequestro de algum querido, com pedidos de ajuda ou parabenizando-o por tirar na sorte grande... respire fundo e procure usar a razão. Emoções nessa hora só atrapalham.
Mais do que nunca, devemos atentar para o conselho bíblico: “Maldito o homem que confia noutro homem.” Cuidado com o que postam no Facebook e em outras redes sociais. Alguns não soltam um pum sem comunicar isso aos seus contatos.
Para as conterrâneas e conterrâneos já que foram lesados, fica a nossa palavra de consolo: de alguma maneira, o prejuízo dos que fizeram isso será maior do que o vosso. Resta a vocês a habilidade para conseguir mais.
Religião e teoria são quase sinônimos. Por isso, escolhi este título.
O que me fez desejar escrever este texto foi uma cena vista nessa manhã: Um filho acompanhava a mãe já velhinha, dando-lhe a devida atenção e suporte. Conheço bem o filho e sei que ele não é muito chegado a igrejas. Aliás, o pouco que vai à igreja é para fazer companhia à mãe. Por amor a ela, ouve pacientemente sermões que às vezes lhe soam indigestos. É um filho que continua tão ligado à mãe quanto quando lhe estava no ventre: apenas mudou de lado.
Vi-o a seguir com a senhora idosa e voltei ao tempo em que viveriam situações inversas: a mãe, paciente, esperando pelos passos lentos do filho ainda trôpego. Quem sabe, talvez, ali por aquelas mesmas ruas... Talvez passeie com a mãe para atender-lhe um desejo que julga desnecessário, mas quer vê-la feliz, assim como ela procedia quando ele era pequeno e pedia para passear.
Trata-se de um irreligioso que segue à risca o que prescreve o quinto mandamento: “Honra teu pai e tua mãe”. Aquilo não necessita vir da Bíblia para penetrar-lhe o espírito: já está escrito em seu coração.
Que mais espera uma mãe idosa, cheia de achaques e feridas da alma feitas ao longo da vida, quando a morte já golpeou tantos entes que lhe eram tão caros? Resta-lhe a esperança de poder contar com o carinho de um filho; de ter alguém que lhe segure a mão enquanto completa a travessia.
Resta-lhe, talvez, o poder contemplar aqueles que lhe saíram do ventre, felizes como ela os concebeu desde o tempo em que ainda brincava de bonecas; restam-lhe alguns beijos e abraços e a esperança de ver pelos olhos embaçados “o fruto do penoso trabalho de sua alma”.
Este de quem falo é alguém que atingiu os alvos estabelecidos pela mãe: casou, construiu uma família bem ordenada, tornou-se benquisto pela sociedade e financeiramente não tem do que reclamar. Mas a possibilidade que ele tem de usufruir dos prazeres terrenos muitas vezes é substituída pelo prazer de estar com sua mãe. O mundo lhe oferece asas e a amplidão, mas ele prefere retornar ao ninho.
Ele sabe quão precioso é cada segundo que lhe resta ao lado dela. Seu olhar transpira gratidão quando busca lucidez naqueles olhinhos carinhosos ilhados nas rugas. Tudo que ele é deve a ela e ao inesquecível pai.
Em direção contrária, vão aqueles que tentam colocar a obra de Deus em primeiro lugar e negligenciam obrigações com a família. Estes, amam tão intensamente a religião quanto aqueles que não cuidaram do homem ferido no caminho de Jericó porque tinham pressa de chegar ao templo.
Nessa mão contrária vai o pregador de uma igreja que visitei recentemente. Fui para fazer companhia a um irmão carnal que nos visitava. A pregação estava boa. Teoria bonita que arrancava améns e aleluias. No final, o pregador pôs tudo a perder. Falou-nos de sua mãe. Obviamente, ocupado com a obra, não podia cuidar dela. Disse-nos o quanto ela sofria (parece-me que tinha câncer) e que a consolara com as seguintes palavras: “Nada posso fazer pela senhora, mãe. Entrego nas mãos de Deus, pois só Ele que tudo pode resolver.”
Aquilo, foi como que um espirro forte num bolo de aniversário recém-enfeitado. Foi como nadar, nadar... e morrer na beira da praia.
“NADA podia fazer?!”, perguntava-se meu irmão indignado depois do culto.“NADA”, respondia eu com ironia.
Quanto ao amigo que pacientemente passeava com sua mãe pela rua da feira, sei que ele não espera, como recompensa por isso, herdar um lugar no céu. Também não é o temor do inferno que o move. É simplesmente amor. Gratidão. Aliás, céu pra ele é estar com os seus, principalmente com sua mãe. E o inferno começa quando ele se põe a pensar em muitos adeuses definitivos que ainda terá que dar...
Já outros, que têm um inferno a temer e um céu a desejar, não encontram nisto motivação suficiente para cumprir o quinto mandamento. Hipocritamente falam de um Deus que é Pai, e de Maria que é mãe, mas vivem longe do sentimento filial.
Não são religiosos no sentido de estar ligados a Deus, mas teóricos da fé.
Deus pai, que não se engana, sabe que estes o paparicam não com amor de filho, mas como aqueles que visam receber a grande herança... Ele sabe que, caso fosse dispensável como os pais terrestres em sua velhice, também seria lançado num asilo...
Todavia, esqueçamos os exemplos negativos. Fiquemos com os bons samaritanos modernos, aqueles que pouco conhecem a letra da lei, mas a vivem em sua essência. Deem-nos suas bênçãos, filhos bons! Continuem a pregar para nós que frequentamos os templos! Enquanto acontecem os serviços religiosos, façam companhia àqueles que necessitam de vossa presença. O Deus que se transubstancia na hóstia também estará no abraço e no aperto de mão que sustém o corpo frágil.
No dia dos namorados (12 de 06 de 2013) a TV Roraima veiculou uma reportagem especial sobre o biólogo, professor e escritor Ricardo Dantas, filho natural de Santa Cruz, RN, autor do romance MEIA PATA, casado com uma bela índia de nome Iara.
O amor venceu barreiras geográficas e étnicas. Hoje, após inúmeros obstáculos, ele vive em Roraima com sua companheira, atua como professor da aldeia, e tem como hobby escrever e analisar com êxtase a rica fauna e flora que o circunda.
Pode haver um clima mais propício ao amor do que este?
Clique no link abaixo e assista a reportagem. Conheça mais sobre essa história e sobre a saga desse escritor que tem a honra de ser o primeiro autor santa-cruzense a publicar um romance.
Agora à tarde, mais ou menos às 4:20,
Cassinha, que trabalha na vigilância de diversos pontos comerciais da
rua da feira, foi à escola onde ensino para comunicar que encontrara
minha biz. Nem dei o quinto horário e fui com ela até o beco da Casa da
Cultura onde estava minha biz... intacta!
Cassinha disse que a encontrou de uma hora da manhã.
Não sabemos o que houve. Apenas quero dizer a todos que me ligaram,
Gostaria de valer-me das palavras de uma parábola bíblica:
"Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida." - Lucas 15: 9
Sei que muitos, além de ligar,
dedicaram parte de seu tempo para orar por mim. A estes também agradeço
de coração pelo gesto de simpatia.
Minha especial gratidão a Cassinha,
que procedeu com absoluta honestidade. Se eu fosse um comerciante
naquele setor onde ela atua, não hesitaria em contratá-la para vigiar
meu estabelecimento, pois deu prova de total lisura para comigo.
Pode haver um presente de Dia dos Namorados melhor que este?
Alguém sensibilizado com o furto que me fizeram ontem, disse-me:
- Gilberto não sei o que lhe diga... o que devo lhe falar nessa hora?
Respondi-lhe:
- Dê-me os parabéns.
Diante da surpresa das pessoas, acrescentei:
- Estou vivo, inteiro, e tenho saúde. Algo pior poderia ter acontecido"
A pessoa entendeu o meu recado.
Mas eu acho que deveria ter acrescentado:
- Tenho uma esposa magnífica e uma filha que muito nos encanta, fruto de nosso amor.
Juntos estávamos no local em que o furto se deu. Pudemos nos
amparar um no outro e retornar para casa felizes, certos de que nos
resta o que é mais precioso: um elo de amor que nos unifica. Perdemos
algo, mas não perdemos o essencial.
Gostaria de dizer hoje, nesse dia dos namorados, à Maria Andrade dos Santos:
Querida namorada Maria: Hoje não temos mais biz para passear, mas podemos continuar dizendo bis à vida e à felicidade.
A tribo Omo, uma das mais ricas representações da cultura
africana, ganhou a alcunha de o povo pintado. Pessoas de todas as idades
dedicam grande parte do tempo a enfeitar-se, a maquiar-se.
Esta prática, passada de geração a geração, os fez
extremamente habilidosos na arte de traçar formas com as pontas dos dedos em
seus próprios corpos.
Por razões estéticas, religiosas ou estratégias de defesa,
valorizam imensamente a artificialidade que impõem às suas aparências.
Pobres em recursos, fazem do meio em que vivem o seu salão
de beleza. Os recursos de que lançam mão estão ao seu redor, na vegetação e em
substâncias de origem mineral, de onde extraem a matéria prima de sua arte.
Trata-se de uma manifestação cultural pouco conhecida e
pouco valorizada. São vistos como detentores e propagadores de algo rudimentar
e primitivo. Todavia, eles nada deixam a desejar em sua arte, que requer
habilidades especiais e capacidade criativa.
Assim como ocorre com o povo OMO, há muitas manifestações
culturais desconhecidas ou desvalorizadas. Culturas marginalizadas riquíssimas
que não devem sucumbir à globalização.
Antes, carecem de holofotes e olhares não preconceituosos,
capazes de vislumbrar suas reais grandezas.
vou ser ruim pra ver se presta hoje eu não vou fazer nada não vou lavar o banheiro vou deixar o dia inteiro a casa desarrumada vou me sentar na calçada de tarde tiro uma sesta vingança é o que me resta prum marido traidor se ser bom não tem valor vou ser ruim pra ver se presta eu vou cair na gandaia vou beber, vou farrear e se um clima pintar hoje ele leva uma gaia por qualquer rabo-de-saia ele atrás se desembesta até a mãe o detesta não passa de um fingidor se ser bom não tem valor vou ser ruim pra ver se presta Quando me candidatei só pensava em trabalhar pretendia apresentar vários projetos de lei porém me equivoquei fiz uma campanha honesta a oposição funesta elegeu um ditador se ser bom não tem valor vou ser ruim pra ver se presta. Tudo que ele pedia, com o maior amor eu dava mas ele só me xingava e jamais agradecia aí, quando foi um dia, eu tava com a mulesta meti-lhe um murro na testa e ele gritou de dor se ser bom não tem valor vou ser ruim pra ver se presta.
Em certa homilia de maio de 2013, o papa Francisco disse algo que surpreendeu a muitos, evangélicos e católicos:
“O Senhor redimiu a nós todos, a todos, pelo sangue de Cristo: todos nós, não apenas católicos. Todos! “Padre… os ateus também? Mesmo os ateus?” Todos!”
“Fomos criados filhos à semelhança de Deus e o sangue de Cristo redimiu a nós todos! E todos temos o dever de fazer o bem. E esse mandamento para todos fazermos bem, penso ser um belo caminho para a paz. Se nós, cada um fazendo a sua parte, fizermos o bem uns aos outros, se nos encontrarmos lá, fazendo o bem, então iremos gradualmente criando uma cultura de encontro. Devemos nos encontrar na prática do bem. “Mas eu sou ateu, padre. Eu não creio… ” “Faça o bem e nos encontraremos lá.”
Percebe-se certa dubiedade e um tom poético nas palavras do papa, mas a linha que predominou na imprensa é a de que o papa teria dito que os ateus, se fossem bons, se salvariam.
Evangélicos fundamentalistas ficaram indignados. A salvação não depende de obras humanas, mas exclusivamente do sacrifício de Cristo, revidaram no púlpito. O papa revelava uma ignorância bíblica espantosa, disseram alguns.
O próprio Vaticano, dias depois, emitiu nota esclarecendo que “ateus ainda vão para o inferno”.
Mas eu me pus a meditar e a procurar por fundamentos bíblicos para o que o povo entendeu. O papa, que já teve oportunidade de estudar as escrituras em suas línguas originais não me parece tão ignorante delas. Talvez não dê às letras sagradas a atenção que alguns religiosos gostariam que ele tivesse. O problema, talvez, não esteja no desconhecimento da Bíblia, mas no excesso de conhecimento dela e sobre ela...
Encontrei a parábola do Bom Samaritano. Lucas 10:29 a 37. Nesta história, temos um homem ferido, um homem caído à beira da estrada, sangrando. Passa outro homem de Deus e depois outro e depois outro... mas nenhum toma providências para salvar o moribundo. Provavelmente saem de consciência tranquila, pois o que têm para fazer tem a ver com a obra de Deus. Seus álibis têm a aprovação do céu. No fundo no fundo, porém, imagino que tentassem sufocar uma vozinha irritante que tentava lhes dizer o que deveriam ter feito.
E é aí que Jesus introduz a figura do bom samaritano. Este chegou e fez tudo e bem mais do que aqueles religiosos deveriam ter feito.
Os samaritanos, na época de Cristo, eram tão malvistos quanto os ateus são vistos hoje. Judeus e samaritanos não se falavam, como se evidencia no encontro de Jesus com a mulher no poço de Jacó (João 4:11). Os judeus costumavam fazer longas travessias para evitarem passar por perto do território habitado por eles. Expressões de ódio e discriminação eram comuns às querelas entre estes dois povos. Do ponto de vista judeu e bíblico, os samaritanos detinham uma fé vã, diabólica, perniciosa. Jamais se veria um rabino judeu admitindo que um samaritano pudesse salvar-se, ainda que bom.
Pois bem. Aquele samaritano que entrou para a história como modelo seria tão condenável quanto um ateu. O próprio Jesus teria dito que a salvação vem dos judeus, mas não negou a superioridade do gesto daquele homem condenável do ponto de vista da fé.
Jesus não falou de fé e o apontou como exemplo quando lhe foi perguntado “Quem é o meu próximo?” O critério para a aceitação divina não foi sua fé correta, mas suas ações concretas em favor de um carente.
Imagino que Jesus chocou a liderança religiosa de seu tempo tão certamente quanto hoje o papa choca a cristandade com estas palavras.
Esse papa é um expert em gestos e discursos poéticos. Preferiu se espelhar no exemplo de São Francisco, aquele que escandalizou a muitos quando disse que até os lobos eram seus irmãos. Percebam suas intenções quando ele fala em ir criando a cultura do encontro. Belo trecho de sua homilia!
Além disso, suponhamos que um ateu, querendo aumentar sua margem de segurança, resolva se esmerar na prática do bem. Não estaria ele manifestando um princípio de fé? É isso o que o papa quer. Encontro de ateus e cristãos na prática do bem, não propriamente no céu.
É interessante pensar naqueles ateus que, à semelhança de Betinho, do Fome-Zero, fazem o bem sem esperar a eternidade em troca. Sem temer o inferno, buscam não viver de modo egoísta.
Pergunto-lhe: quem você escolheria para conviver: algum daqueles judeus que passaram longe do homem ferido ou o samaritano que o socorreu? Herbert de Souza, o ateu, ou algum religioso fanático que nada ou pouco faz pela sociedade?
Talvez Deus pense de modo semelhante a nós e ao papa.
Quando me perguntavam: "Onde você mora?"
Eu respondia: "Perto do Bar de Bené".
Mas o bar de Bené fechou. E seu prédio, à medida que foi crescendo, foi sendo repartido entre diversos donos.
Hoje a morte fez gol na vida dele. Foi a vez de sair de nossa rua o que restava dele. Foi sua partida, a última.
E agora, que o jogo acabou, como driblaremos essas lembranças?
Baseado nas palavras de Edgar "O sonho não acabou, apenas adormeceu" fiz os seguintes versos em memória da morte de sua mãe, falecida em 16.05.2013
Quando uma mãe vai embora
O momento é de tristeza
O bom filho com certeza
Com sinceridade chora
É hora de lamentar
Mas também de recordar
Todo bem que se viveu
Tudo quanto ela ensinou
O sonho não acabou
Apenas adormeceu.
Olho com olhos de fé
Nesse momento de dor,
Em que a gente vê a cor
Da vida como ela é
Fico a imaginar
A minha mãe a entrar
No céu em que tanto creu
E sobre o qual me falou:
O sonho não acabou
Apenas adormeceu.
Essa é a triste partida
Pior que a do retirante
A gente vê nesse instante
A importância da vida
Porém se a mãe pudesse
Depois que a morte viesse
Consolar o filho seu
Falaria aos que deixou:
O sonho não acabou
Apenas adormeceu.
Graças à sua influência
Me tornei um sonhador
Grande foi o seu valor
Em toda minha existência
Pensando no seu desvelo
Não me entrego ao pesadelo
De achar que nada valeu
E que tudo terminou:
O sonho não acabou
Apenas adormeceu. Com Raul Seixas tivemos uma sublime verdade: Se tornam realidade os sonhos que juntos temos. Com minha mãe eu sonhei e pra vida despertei quantos conselhos me deu! Decerto algo ficou. O sonho não acabou apenas adormeceu. Creio na ressurreição na divina recompensa a minha dor é imensa mas resta a consolação Deus a tudo vivifica mamãe para sempre fica no corpo que concebeu em todo bem que plantou O sonho não acabou apenas adormeceu.
Trago um mote emprestado
do siteBesta Fubana
de um poeta bacana
que me parece inspirado Marcos Mairton, o danado
está certo e não desdigo
porque desde o tempo antigo
vejo não ser diferente: Dá certo com muita gente, Mas não deu certo comigo.
Resolvi ser agiota
pra enriquecer ligeiro
tirei do banco o dinheiro
emprestei tudo a seu Tota.
Agi feito um idiota
não percebi o perigo
deixou de ser meu amigo
fiquei feito um indigente Dá certo com muita gente, Mas não deu certo comigo.
Filiei-me a um partido
depois me candidatei
cinco mil reais gastei
mas foi um gasto perdido
pelo povo fui traído
àquele dia maldigo
da política me desligo
tive 10 votos somente Dá certo com muita gente, Mas não deu certo comigo. Me tornei pentecostal
esperando ser curado
com o óleo abençoado
queria afastar o mal
o pastor era legal
mas a ele já não sigo
pra curar meu vitiligo
só com dinheiro na frente Dá certo com muita gente, Mas não deu certo comigo.
Participei de uma peleja no Jornal Besta Fubana. Achei por bem fazer certas modificações no mote e nas estrofes.
Há quem goste de assistir uma briga de aranha quando a dupla se emaranha o ofídio tenta subir diante daquela rinha (bainha contra bainha) das mulheres em orgia o homem fica babando Com tanta mulher se amando Homem perde a serventia.
A hora é de comprar uma boneca inflável para de maneira estável
O seu prazer encontrar
ou quem sabe, entrar no jogo se esquentar nesse fogo que vem da sapataria nele findar se queimando Com tanta mulher se amando Homem perde a serventia.
Hoje os aracnídeos se metem no maior love fazem um seis e um nove na net põem tais vídeos também há cobra com cobra fazendo aquela manobra que causa a homofobia e eu fico só matutando: Com tanta mulher se amando homem perde a serventia.
Sem saber cantei um “moço” e “ela” me disse em resposta: “Da fruta que você gosta eu como até o caroço” Me afastei desanimado viagra tinha tomado bem meia hora fazia pra casa fui lastimando: Com tanta mulher se amando Homem perde a serventia.
Os gays estão animados ao ver que a mulherada não está interessada em homens apaixonados Até Silas Malafaia teme que um rabo-de-saia ataque com ousadia e a mulher finde tomando Com tanta mulher se amando. Homem perde a serventia.
Homem que é homem lamenta ao ver que seu mijador não sente mais o calor em aranha não se esquenta O Marcos Feliciano sente um grande desengano e lamenta todo dia ao povo vive pregando: Com tanta mulher se amando Homem perde a serventia.
Fico de queixo caído com alguns conhecidos que estão ganhando dinheiro fácil com a Telexfree. A tentação é grande porque o testemunho é forte. Uns dizem não saber mais o que fazer com tanto dinheiro.
Fui convidado a assistir ontem uma palestra sobre o empreendimento mas, por motivos superiores, não pude comparecer. Ouvi dizer que houve testemunhos magníficos e que o vereador Josemar Bezerra falou maravilhas sobre o empreendimento. Inegavelmente, alguns estão enriquecendo com a Telexfree.
O que mais me encanta é a certeza de alguns que se responsabilizam pelo ressarcimento do dinheiro investido caso haja falência. Grande, porém, é o número dos que, surpreendemente, investem cônscios de que se trata de um investimento de risco. Um amigo meu colocou seu carro à venda.
Ainda há pouco, pesquisei no Youtube a respeito e minha atenção foi chamada para esse vídeo em que Luis Nassif, especialista em economia, opina sobre a Telexfree. Estaria ele ultrapassado em sua visão? Alguém me disse que talvez estejamos diante de um novo paradigma, diante de um tipo de empreendimento que só tende a crescer. Favoráveis e desfavoráveis, fiquem à vontade para opinar.
Diz a Bíblia que Jesus, aos doze anos, impressionou os doutores com sua sabedoria. Esse garoto de 9 conseguiu fazer algo parecido. Seria alguém com vocação inata para a filosofia ou apenas o fruto de uma boa educação? Talvez as duas coisas e algo mais. O certo é que este admirável moleque ganhou a simpatia de muita gente.
Discordo quando afirmam que ele pensa como um adulto. Grande parte dos adultos que conheço parecem ainda raciocinar como crianças de nove anos. O conhecimento e aparente grau de compreensão desse garoto parece além do que muitos universitários conseguem após anos de estudo. Ouça-o e tire suas conclusões.
“Gato Melado”, por sua força imagética, é um apelido que se destinaa grudar na memória dos que o ouvem. Apesar da grande popularidade, o conhecimento sobre esse cidadão restringia-se a Santa Cruz e adjacências, até à memorável Quinta-Feira Santa de 2008, quando a chuva caiu pesadamente causando grandes estragos no Rio Grande do Norte.Uma ponte ruiu entre São Bento e Santa Cruz, impossibilitando o vai-vem costumeiro e obstaculizando o caminho de familiares que vinham doutros lugares loucos por um feriadão. Ônibus e carros pequenos pararam ante o abismo dando origem a um amontoado de bagagens e pessoas frustradas. A solução era retornar ou percorrer um lamacento braço de rio rumo ao destino pretendido. Foi aí que chegou Gato Melado com uma escada velha e uma ideia nova, disposto a lucrar com a desgraça alheia.
Colocou a longa escada numa parte abissal, facilitando grandemente a travessia. Um real era o valor exigido para que se tivesse o acesso. Não foram poucos os que pagaram pelo serviço! Logo chegou um helicóptero. Era a mais importante equipe de TV do estado que vinha para fazer cobertura. Encantaram-se com o jeito bonachão do dono da escada e com sua estratégia. Filmaram-no, e à noite o estado inteiro teve a oportunidade de vê-lo e saber da história. Aproveitando bem seu minuto de glória, sorriu para a câmera, encostou o polegar gordo em uma das têmporas e disse que aquilo era um ato de inteligência.
Sem dúvida foi uma boa estratégia, digna de figurar como ilustração em qualquer livro de autoajuda. Ele fez o que faz todo empresário de sucesso. Vislumbrou uma oportunidade onde todos, cegados pela adversidade, só viam problemas. Foi desprezado por alguns, diga-se, mas o desprezo destes foi compensado pelos trocados de outros e, de sobra, teve seu instante de glória.
A escada de Gato Melado, frágil peça de madeira posta como ponte entre duas cidades, é uma viva ilustração do como funciona o capitalismo. Mostra, também, a razão de ser de toda criatividade humana, pois cada invento é uma ponte entre uma necessidade e uma superação. À semelhança de Gato Melado, líderes religiosos de todos os quadrantes deste mundo redondo, fornecem escadas que conduzem a outras dimensões e lucram com isso. Trata-se, pois, de uma estratégia antiga, essa de improvisar caminhos entre os homens e seus objetivos.
À noitinha daquela quinta-feira santa estava a caminhar e vi uma pequena multidão se aglomerando à porta de um barzinho para vê-lo na TV.
A fama do conhecido moto taxista não parou por aí, pois sua atuação acabou por render-lhe também essa crônica e a trazê-lo a este blog.
Malu Paes, moça saudável
vive de modo feliz
uma vida sustentável
que com a razão condiz
sua saúde invejável
e vigor admirável
envergonha o especismo
e à dieta justifica
pois seu corpo testifica
a favor do veganismo
"Bonita até pra chorar"*
como nos diz a canção
ao deitar e levantar
mesmo chupando limão
bonita por evitar
a indústria alimentar
que vive da exploração
de animais inocentes
belos seres sencientes
postos em escravidão.
Falta água, falta pão
na mesa do nordestino
desde o tempo de menino
vejo tal situação
mas ninguém vê solução
científica, permanente
para o drama dessa gente
duramente castigada
entre a cruz e a espada
tão explorada e carente.
Falta vergonha na cara
dos políticos brasileiros
quase sempre interesseiros
de honestidade rara
gente que nos desampara
no tempo da precisão
e aproveita a ocasião
para ser paternalista
numa visão egoísta
pensando em reeleição.
Vejo que falta coragem
pra lutar contra o descaso
e acabar com o atraso
que nos traz a pilantragem
Só não falta malandragem
e corrupção crescente
e a ganância permanente
dos que chegam ao poder
falta o povo perceber
o quanto é inocente!
“Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo.”
Algumas músicas são verdadeiras drogas sonoras. Para consumi-las satisfatoriamente, é necessário estar embriagado. Por isso talvez alguns bebam tanto enquanto ouvem porcarias.
Mas há músicas que não carecem de álcool ou quaisquer narcóticos. Elas mesmas nos embriagam maravilhosamente bem. Certas músicas nem de lua carecem. É o caso de Moonlight Sonata. Elas romantizam nossas vidas em pleno dia e deixam nosso viver todo estrelado.
Quando ouço Moonlight Sonata, minha mão parece estender-se para outra, invisível, que parece me conduzir por noites magníficas, paradisíacas. É como se palmilhasse por uma escada luminosa, cheia de glamour, que me leva para onde eu gostaria de estar.
Nos poucos instantes em que ela toca e preenche minha vida, o tempo parece eternizar-se. Meu cérebro, incapaz de explicar adequadamente o que acontece, deixa-me entregue a uma ilusão sônica e mente em suas explicações. Não há como ver, objetivamente, ouvindo Moonlight Sonata.
Esta música me faz bem e parece tornar-me melhor. Não posso explicar, ó meu cérebro, porque tanto te atrais por esta sequência melódica. Há uma porta instalada no fim do corredor obscuro que conduz para o subconsciente, onde talvez se ache a resposta.
Sem lua e sem conhaque, sinto-me comovido como o diabo, ou como um anjo em que fui convertido ao toque da melodia. E fico querendo entender o mistério da música e desta música, em cujas ondas me lanço em mergulho gozoso, sem vontade de voltar à tona.