quarta-feira, 16 de outubro de 2019

UM REENCONTRO INUSITADO


UM REENCONTRO INUSITADO - Gilberto Cardoso dos Santos"Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas." (Eclesiastes 11:6)

Na manhã do dia dos professores, sem fazer a menor ideia da surpresa que teria naquele dia, abri um arquivo pessoal intitulado "Bálsamos verbais", onde guardo mensagens de ex-alunos agradecidos. Revi a  de José Aílton de Farias, que dizia:


Muito obrigado, querido professor. Me sinto muito lisonjeado por suas palavras... Sinto muita saudade da minha dura infância e adolescência; muitas coisas marcaram demais na construção da minha pessoa, inclusive, posso citar sem titubear, você como professor: às vezes pareceu tão chato para uma parcela dos alunos, mas no fundo você sempre soube o que fazia. Me lembro da 5ª série no Cosme Marques, dos contos em forma de trova como 'O homem da vaca e o poder da fortuna', 'O Sabido sem estudo', 'A chegada de Lampião no inferno'... Meus Deus! Como foi bom. Eu relia esses contos incessantemente na minha rua para os meus irmãos pequenos, primos e colegas. Era incrível! Poesias eternas! Tenho muitas coisas para falar do professor Gilberto. Hoje posso dizer que passei por graduação, técnico e especialização e tive ótimos professores, mas você sempre me vem na mente como um dos melhores!                                 
Muito obrigado, professor!!!

Deu-me vontade de reencontrar Aílton, que não tinha visto há anos. Busquei-o no Facebook, mas não o achei. Pus-me a pensar  no que ele era  quando meu aluno e no que veio a tornar-se: um cidadão de bem e bem sucedido, graças aos estudos.

Lembrei de uma noite em que estava com os amigos Rogério, Marcelo e Edgley na Praça Tequinha quando, um pouco ao longe, tendo ao fundo o cemitério, vi que alguém me observava com interesse. Reconheci-o, era Aílton. Parecia querer aproximar-se, mas não ousava. Mantinha resquícios daquela timidez que tinha quando no ensino fundamental. Finalmente avançamos um em direção ao outro e fizemos aquela saudação calorosa própria dos que se gostam e não se veem há décadas. 
De fato, ele queria falar comigo. Queria dizer-me o quanto fui importante em sua vida e formação. Disse-me que ainda guardava os cadernos do tempo em que estudava comigo. Havia  chorado ao reler os diários que eu o incentivara a fazer. Disse-me o quanto estes escritos o haviam ajudado em concursos e no ENEM. Havia passado em oitavo lugar para Engenharia Civil e ganhara uma bolsa. Era policial e tinha outros planos para a área acadêmica.

Após esse contato, não mais o reencontrei, até à tarde do Dia dos Professores de 2019. Precisei ir à escola onde ele estudou para solicitação de um documento. Era um dia duplamente significativo para mim;  estava prestes a aposentar-me, já de licença e no fundo no fundo queria sentir que valera a pena dedicar-me tanto à educação.

Qual não foi minha surpresa ao ver que Aílton lá se encontrava! Mutuamente nos emocionamos e eu senti os efeitos de uma má lição aprendida na infância: Homem que é homem não chora. 

Não choramos, mas de diversas outras formas demonstramos a todos que ali estavam o quanto estávamos satisfeitos pelo reencontro.

Relembramos alguns cordéis utilizados como paradidáticos: O Sabido sem estudo, A chegada de Lampião no Inferno, Homem de Sorte etc.

Carlos, o diretor, fez saber a ele que eu havia publicado uma obra - um livro com aquele tipo de texto que tanto o ajudara no desenvolvimento da leitura. Aílton não titubeou em manifestar interesse pela obra e até sugeriu o preço: "Quanto é, cem reais?"

Disse-lhe que, para ele, faria por 29,99.

Enquanto fazia sua dedicatória, fiquei a pensar quão significativo era aquele reencontro. Ele havia retornado à sua inesquecível escola Cosme Marques exatamente no dia dos professores!

Tive outras boas surpresas: a professora Jaiane, minha substituta, é irmã dele; além disso, ele planeja realizar um grande sonho, o de tornar-se educador!

Fiquei feliz demais ao saber que ele, mesmo já de vida feita (É cabo, prestes a virar sargento), com boas formações e pós-graduações,  planeje dedicar-se à missão de educar.

Na verdade ele é um educador nato. No texto inicial, escrito por ele, lemos: "Eu relia esses contos incessantemente na minha rua para os meus irmãos pequenos, primos e colegas." Em sua ausência, disse-me sua irmã: "O que eu sou hoje, devo a Aílton. Não apenas eu, mas toda nossa família. Ele me colocava pra estudar uma, duas horas e eu só podia sair dali depois que fazia as tarefas."

Querido leitor, cabem muitas exclamações e reticências na frase afirmativa dele: "Sinto muita saudade da minha dura infância e adolescência." Páginas e mais páginas poderiam ser escritas sobre as adversidades desse período. "Dura", para ele, significa bem mais do que encontraríamos no dicionário.

Circunstancialmente, teve que engatinhar e arrastar-se por um bom tempo,  mas os livros e a escola lhe deram asas. Imaginem, então, quão maravilhoso é para mim poder colocar agora em suas mãos mais um livro - não mais aquelas apostilas mal impressas que alavancaram sua formação -, mas o meu livro, o meu Maço de cordéis - lições de gente e de bichos!

Muitas são as lições que Aílton pode deixar para aqueles que são aprovados todos os anos, mas mal sabem ler, mal sabem redigir uma simples carta.

Tudo foi maravilhoso nesse dia dos professores. Só me arrependo de uma coisa:  

Eu acho que deveria ter cobrado os cem reais.








quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Pastor Soares, um amigo da poesia

Tive a graciosa oportunidade de colocar nas mãos do senhor 
Jose Soares Filho, mais conhecido como Pastor Soares, o meu "Um Maço de Cordéis - Lições de Gente e de Bichos". Muito me alegrou saber de seu interesse em adquirir a obra!

Pastor Soares é alguém que deve entrar para a história de Santa Cruz, quiçá do Trairi, pois ninguém representa melhor e por tanto tempo o segmento evangélico como ele nesta região. Veio para Santa Cruz em 1985 e daqui não mais saiu. Nossa mutante paisagem por ele foi percorrida durante todo esse tempo. Viu o nascimento e a ruína de todos os prédios e casas. Ruas nasceram onde seu olhar só vislumbrava mato e terrenos baldios. Não apenas viu: deteve seu olhar e percebeu em profundidade cada acontecimento, pois essa é uma de suas características. Um livro de história municipal precisa contemplar tudo aquilo que é significativo para a comunidade. Durante todo esse tempo, pastores chegaram e saíram nas diversas denominações, mas ele permanece, como testemunha viva de nossa história e fé.

Conheço Pastor Soares há décadas. Apesar das diferentes concepções acerca da fé, sempre mantivemos um diálogo profícuo e respeitoso. Um dia começamos a falar de poesia e não mais paramos. Lembro de uma vez em que ele me trouxe um cd de cantoria, com uma compilação de poemas muito especial.

Ele é, como veremos, um nordestino nato, orgulhoso de suas origens. Tem na família uma tradição de amor ao cordel e à cantoria de viola. Carrega no seu sotaque as marcas de nossa gente e disso não abre mão. 

Após certo tempo ele começou a me mostrar alguns versos de sua autoria e a pedir uma sincera opinião a respeito. Solicitou também, com desnecessária humildade que eu o orientasse em suas produções.  Em ocasiões especiais ele costuma expressar-se em versos. Presenteia amigos, familiares e membros da igreja com estrofes de sua autoria adequadas ao momento. Põe métrica e rima na oração bíblica.
Eu fui surpreendido e honrado por ele no dia do meu aniversário (07.10.2019). Enviou-me os seguintes versos:

HOJE GILBERTO CARDOSO
ESTÁ MUDANDO DE IDADE
VENHO LHE DAR PARABÉNS
E DESEJAR DE VERDADE
QUE DEUS TE CUBRA DE BENÇÃOS
E MUITA FELICIDADE.

UM POETA VALOROSO
QUE HOJE SANTA CRUZ TEM
UM PROFESSOR EM DESTAQUE 
PELO TALENTO QUE TEM
COM UM BOM VOCABULÁRIO
SEM INVEJA DE NINGUÉM.

SABEMOS QUE LÁ DO ALTO
A SABEDORIA VEM
DESCENDO DO PAI DAS LUZES
DOADOR DE TODO O BEM
E CONCEDEU MAIS UM ANO
QUE AGORA VOCÊ TEM.  

Fiquei bastante feliz com esse mimo de sua parte. Ao fim dos versos, escreveu: "Parabéns professor, desculpe aí os erros desse aprendiz. Deus te abençoe. "

O dom da poesia, para Pr Soares, é algo essencialmente divino. Gosta de perceber na Bíblia as vezes em que um profeta ou o próprio Deus se valeu de recursos poéticos para melhor expressar a mensagem sagrada. Nós conversamos sobre isso.

Há 34 anos o povo de Santa Cruz e cidades próximas tem a oportunidade de ouvir a sua pregação na Igreja Batista Fundamentalista e, nos últimos anos, através da Rádio Santa Cruz e das redes sociais.




No dia  08 de outubro, Dia do Nordestino, mostrou-me estrofes em que expressa profundo amor por nossa Terra. Ele, que já esteve na Irlanda e na Inglaterra, que já conviveu com missionários estrangeiros, jamais se desapega desse rincão sofrido, tão parecido com a Palestina em que Jesus viveu. Vejam quanto carinho:

SOU NORDESTINO E GOSTO
DESSA DIETA SADIA
RAPADURA COM CUSCUZ
E FEIJÃO O PRATO DO DIA
VIVO FELIZ E SORRINDO
FAZENDO ATÉ POESIA.

CRISTO, SIM NO NORDESTINO
TODA DIFERENÇA FAZ
SEJA CRIANÇA OU IDOSO
QUER SEJA MOÇA OU RAPAZ
DÁ SENTIDO A NOSSA VIDA
E ENCHE O CORAÇÃO DE PAZ.

O NORDESTE É MUITO GRANDE
E QUERO ASSIM MOSTRAR
TEM MARANHÃO PIAUÍ
PARAÍBA E CEARÁ
O RIO GRANDE DO NORTE
QUE É ESPETACULAR

 ALAGOAS E SERGIPE
TERRA MUITO ESPECIAL
BAÍA QUE NO PASSADO
FOI DESTAQUE FEDERAL
POIS DESSE BRASIL COLOSSO
ABRIGOU A CAPITAL

PERNAMBUCO FAZ FRONTEIRAS
NESSA MESMA REGIÃO
COM CINCO ESTADOS DISTINTOS
DE GRANDE REPERCUSSÃO
SUA CAPITAL RECIFE
CAUSA ADMIRAÇÃO

JÁ FERNANDO DE NORONHA
UM TERRITÓRIO ATRAENTE
COM BELEZAS NATURAIS
QUE ENCANTA A TODA GENTE
QUEM QUER FAZER UM TURISMO
NESSE LUGAR DIFERENTE.

Foi por estas e outras que, na dedicatória feita especialmente para o seu livro, eu escrevi o seguinte:


Amigo Pastor Soares,
Desde tempos milenares
Que a gente vê nos altares
O uso da poesia.
Nas letras de belos hinos
Ou versículos divinos
Sua força se evidencia.

Jó a expõe nos dilemas
Nos Salmos comanda os temas
Há nos provérbios poemas
Escritos com maestria
Um verso é uma sarça ardente
Nele, Deus comove a gente
Produzindo epifania.

É um prazer ver que o senhor
Além de um grande pastor
Percebe o enorme valor
Do cordel, da cantoria
E inclui em seu sermão
Rima, métrica e oração
Vai além da liturgia.

Vejo que em sua existência,
Tem buscado a coerência
E absoluta decência
Tendo a Bíblia como guia
Sem visar grandes lauréis
Busca captar fiéis
Nas missões do dia a dia
A este fã de Moisés
Este maço de cordéis
Dedico com alegria.


Santa Cruz, 11.10.2019


Adquira meu livro UM MAÇO DE CORDÉIS - Lições de Gente e de Bichos PELO FONE/WHATSAPP 84 99901-7248, via gcarsantos@gmail.com ou pelo https://www.facebook.com/gcarsantos


Valor: 30 reais

Para saber mais a respeito da obra, leia:





A AMIZADE DE GORETTI COM AS PESSOAS E COM OS LIVROS


Conheço Maria Goretti Borges há décadas. Sempre tive uma impressão positiva a seu respeito. Numa das primeiras vezes em que contatamos diretamente, havia entre nós um livro que nos serviu de ponte. Tratava-se de uma obra massuda, profundíssima, escrita por Foucault. De lá pra cá sempre a vejo com algum livro às mãos, em geral algo que revela bom gosto. Tive, há pouco, a honrosa felicidade de tirar uma foto com ela com mais um livro fazendo intersecção entre nós, só que desta vez de minha autoria!


A cada dia que passa, melhoram minhas impressões a seu respeito. Ela é como um bom livro, assemelha-se a um bom vinho.Certa vez ela trouxe um queijo de Minas e generosamente o repartiu conosco. Joao Maria O experimentou e teve uma experiência gastronômica transcendental. Dizia-nos deveras emocionado: Esse foi o MELHOR queijo que eu já comi em toda minha vida!

E ainda hoje, quando ele se escora na parede onde teve essa experiência, parece reviver o momento, e suspira.

A amizade de Goretti, meus amigos, assemelha-se àquele queijo.






quarta-feira, 9 de outubro de 2019

PROCURE O JADSON (DEDIM) - Gilberto Cardoso dos Santos



Procure o Jadson (Dedim) - Gilberto Cardoso dos Santos


"A melhor propaganda é feita por um cliente satisfeito" disse Philip Kotler e isso é um consenso no mundo do Marketing. Não é à toa que contratam bons atores, capazes de fingir bem o quanto amam determinado produto.

Mas nada substitui uma pessoa genuinamente satisfeita.

Quero, porém iniciar essa crônica e testemunho falando de literatura. No livro Les Miserables, de Victor Hugo, há uma cena que muito me comove. Jean Valjean, ex-prisioneiro em liberdade condicional, mesmo com dinheiro, vagueia de uma pensão a outra, busca abrigar-se até numa casinha de cachorro, mas ninguém lhe dá a mão. Por fim, na praça escura que mais parece um congelador, entabula conversa com uma senhora desconhecida e ocorre a seguinte cena e diálogo:

— Já bati em todas as portas.

— E o que houve?
 — Em todas, me recusaram abrigo.
A mulher pegou no braço do homem. Apontou, do outro lado da praça, uma casinha branca.
— Naquela porta, já bateu?
— Não.
— Pois é lá que deve bater.


A casinha branca, vemos mais adiante no livro/filme, pertencia a Monsenhor Benvindo, onde Jean Valjean de fato resolveria os seus problemas.

Mas esqueçamos os graves problemas de Jean Valjean e voltemos ao meu.
O meu problema era o seguinte: Em casa eu tinha uma máquina de lavar louças com pouco mais de um ano de uso, mas já sem funcionar. Só fazia barulho. Bati em diversas portas. Nenhum dos que mexem com máquinas de lavar roupa se dispôs a consertá-la. Diziam: Procure fulano. Procurava e fulano dizia que não sabia, mas renovava minha esperança apontando outro técnico. Apareceu um técnico, um único, que viria doutra cidade (e caro!) para vê-la. Marcamos sua vinda, passaram-se meses e nada. O jeito seria levar a máquina até a capital ou a Currais Novos onde havia um técnico ocupadíssimo que a veria e faria um diagnóstico.
Até que conheci Jadson, um menino, à primeira vista. Conheci-o quando trabalhava para o cunhado. Levei 2 ventiladores velhos e gostei do trabalho dele. Percebi um sincero desejo de resolver o problema do modo mais econômico. Gostei do serviço dele e do cunhado.
Um dia, passei pela oficina, e seu pai, que não sabia do meu problema, ocasionalmente ali se achava. Não o conhecia, mas vi que ele mirava com satisfação o seu rapaz. Puxou conversa comigo e disse-me com orgulho: "Esse meu filho é muito inteligente. Qualquer coisa ele desenrola."
Interrompi o trabalho que estava sendo feito, chamei o Jadson e perguntei se ele seria capaz de consertar lava-louças.. Disse-me ele que nunca tinha mexido num deles, mas poderia consertar, sim. Marquei com ele pra hora do almoço, quando saísse do trabalho. E acrescentei: "Você vai lá e vê se dá pra consertar. Se conseguir, tudo bem. Se não, não tem problema."

Mas ele foi firme: "Pode ficar tranquilo que eu vou consertar sua máquina!"

Admirei-me da convicção. Ao meio-dia ele chegou a minha casa, pontualmente. Recusou-se a comer qualquer coisa, não tinha tempo a perder.
Era visível o seu desconhecimento daquele tipo de máquina. Para piorar, tentava improvisar ferramentas para o conserto.
Depois de aparentemente haver detectado o problema, olhou para um micro-ondas e perguntou como ele estava. Disse-lhe que não funcionava mais. Pediu-me permissão para retirar uma peça dele pra consertar a máquina. Que não me preocupasse. Planejava deixar as duas máquinas funcionando. Confiei.

Pois não é que tudo deu certo?

Tanto a máquina quanto o micro-ondas foram devidamente consertados!

O nome dele é Jadson, mas o chamam de Dedim. Não "Dedim" como diminutivo de dedo. Deve-se pronunciar como se começasse com "dé". No entanto, ele lembra o menino do dedo verde, ou o Rei Midas. Seus dedos mostram-se mágicos na arte de acrescentar vida útil a objetos em processo de obsolescência. Bem que poderia ser apelidado de Dedinho, no sentido de dedo pequeno.

Enquanto trabalhava, Jadson me falou de seus sonhos e projetos. Um deles era trabalhar por conta própria. Morava em casa alheia e queria encontrar um lugar que durante o dia fosse oficina e à noite lhe servisse de casa. Já tinha um prédio em vista! Desejava muito vencer na vida e ajudar os pais.


Olhei para aquele jovem de poucos estudos. Sequer concluíra o primeiro grau, mas tão inteligente e desejoso de vencer honestamente. Tinha uma tatuagem, e por causa dela perdera um grande amor. Os pais haviam imaginado que ele era um vagabundo. Mas ele iria mostrar a todos que não era o que pensavam. Não o julguemos pela aparência e marcas no corpo como fizeram com Jean Valjean.

Enquanto consertava minhas máquinas, Jadson falava como um homem de meia idade, cheio de responsabilidades. Pedi-lhe que quando tivesse sua própria oficina me avisasse, mas não disse o porquê.
Há poucos dias recebi sua ligação: "Professor, já estou na minha oficina. Venha conhecer."
Fui, e ao tirar as fotos ele me perguntava a razão de estar fazendo aquilo. Não lhe disse.

Fico feliz por meu amigo Jadson. Posso até estar enganado, mas vejo em seus olhos singeleza de propósitos, uma bondade natural e um nível de inteligência acima do normal. Alguém que quer para si, mas satisfazendo a perspectiva do cliente. Ele me lembra o protagonista de “François, o menino abandonado”de George Sand, livro belamente traduzido por Liliane Mendonça.


Finalizo, dizendo como a velhinha do livro Os miseráveis:

Caso tenha algo precisando de conserto, bata na porta do Jadson. Quem sabe, ele poderá resolver o seu problema.

Fica logo ali na Travessa Paz e União (no centro de Santa Cruz/RN). Você pode falar com ele pelo fone 84 988555207 e pelo WhatSapp (84) 998643372

Procure pela J&F





Gilberto Cardoso Dos Santos
Gilberto Cardoso Dos Santos




quinta-feira, 26 de setembro de 2019

UM AMOR DE EVENTO PARA RECORDAR


UM AMOR PARA RECORDAR é o nome de um livro que virou filme. É a ele que faço alusão no título, pois se trata de um dos momentos mais emocionantes de minha vida.

Em 21.09.2019 foi lançado meu livro Um maço de cordéis - lições de gente e de bichos. Muitos foram os contratempos. Um deles, só para exemplificar, teve a ver com a morte de dois entes queridos de uma mesma numerosa família que iria ao teatro naquela noite; outro com uma grávida de sete meses que teve sangramento;  eventos concorrentes; chicungunya etc. Apesar dos muitos pesares, o lançamento foi um sucesso. Pessoas que eu não imaginava compareceram ao evento. Exemplos; O respeitado intelectual Aldenir Dantas (homem de múltiplos talentos) e minha adorável ex-professora de mestrado Ana Paz.

Disse-me Leonardo Beneson: "O evento foi espetacular, meu amigo! Não faltou nada."

Sem a ajuda de bons amigos, nada disso teria sido possível. Fiquei extremamente feliz com a participação do Trio Arapuá, composto por Tiago, Eduardo e Diêgo Cassiano. Hélio, o vocalista do grupo, mereceria um parágrafo à parte. Graças a ele o evento teve uma boa dinâmica. Sem a ajuda dele, o evento teria perdido muito. Justíssimos seriam os álibis que ele teria para não estar ali, mas esteve. Não apenas esteve: fez acontecer.

Emocionei-me com a vinda do hiper talentoso Ericleidson Lima. Tinha um show agendado para aquela mesma noite. Comprometera-se a cantar apenas uma música, mas nos brindou com várias. Estevam, grande violonista - provavelmente o maior da cidade - comprometera-se a fazer a abertura mas, devido as mortes citadas, não pôde vir. Seu filho, João Estevam, emocionou-me: Saiu do sepultamento e foi ao teatro já no finalzinho para pegar minha dedicatória. Peterson Javana quem até então eu não conhecia, não apenas divulgara o lançamento em seu perfil, mas foi um dos primeiros a chegar e a solicitar a dedicatória. Maciel Souza e Adriana Medeiros vieram doutra cidade para partilhar de meu regozijo naquele momento único, irrepetível.

Débora Raquiel e sua adorável mãe Lúcia demonstravam, em seu olhar, o regozijo de estarem ali vendo tudo a ocorrer tão bem. Débora filmava e fotografava sem parar tentando eternizar os melhores momentos. Nilson Rocha, dono da Web TV, também muito me alegrou com sua prova de amor à cultura e amizade genuína. Lembro de Oziel, um dos primeiros a chegar, de Wilson Filho (grande incentivador e mão ajudadora nos convites), Sânzia, Jailson e Sara...

Adriano Bezerra e sua adorável família mereceriam um capítulo à parte. Liane Bezerra e Andressa Nascimento protagonizaram pontos altos do evento. Andressa e Liane esbanjam simpatia e talento sempre que declamam. Não é à toa que já apareceram na tela da globo e já brilharam em tantos palcos. 

Como se já não fosse muito o que deles eu esperava, deram-se ao trabalho de decorar poemas de minha autoria e a declamá-los com tal desenvoltura e beleza que nem pareciam ser meus.
 Adriano Bezerra deu um passo além: fez um cordel em minha homenagem. Esforcei-me para não chorar. Vejam que presente:

AO POETA GILBERTO CARDOSO

Gilberto, sinceramente
Achas que enganas quem?
Fique sabendo o senhor
Que não enganas ninguém
Pra quê ficar se escondendo
Todos já estão sabendo
Que és um homem de bem.

Tem sorte aquele que tem
Na vida um amigo assim
Sempre pronto a ajudar
Quando vê que está ruim
Digo isso porque sei,
Pois quando mais precisei
Você muito fez por mim.

Vou contar só um "pouquin"
Quem é Gilberto Cardoso:
Pai de família exemplar,
Cidadão nobre e honroso,
Professor de profissão
Que vê na educação
Um caminho precioso.

Na arte é um talentoso
Seu dom é fenomenal
É poeta, prosador,
Cordelista genial...
Por mérito na poesia
Entrou para academia
E tornou-se um imortal.

Tem do homem o principal:
Caráter e muita humildade
Deve ser por tal motivo
Que sente a desigualdade
Quando ver o pequenino
Sendo escravo do granfino
Sem voz e sem liberdade.

Gilberto tem essa idade
Mas é feito um meninote
Se o cabra não for ligeiro
Ele chega e dá o bote
Basta falar distraído
Qu'ele muda no sentido
E lhe pega no pinote.

Não passa de um simples trote
Pra não ter mal entendido
Sem ofensa e sem deboche
De um jeito bem divertido
Só para descontrair
E o amigo se sentir
Cada vez mais acolhido.

Tudo aqui foi resumido
Pois Gilberto é muito mais
Dos humanos que conheço
Ele é dos mais legais.
Muito sucesso poeta!
Que atinja a sua meta
Você merece demais.

Adriano Bezerra (21/09/2019)

Mesmo imerecidas, estas estrofes tão bem construídas ecoarão em meu coração por muito tempo. Obrigado, Adriano!

Agradeço a Siomara, a Juracleide, a Deney Carla e esposo, bem como tantos outros que nem daria para citar sem tornar o texto demasiado longo e enfadonho. Gustavo e Alan Nedson também marcaram presença. Meu amigo João Maria e sua filha fizeram questão de chegar logo cedo. Detalhe: Ele estava doente, mesmo assim veio. Karla Angélica, que tanto me auxiliara na divulgação fez-se presente e muito contribuiu com sua simpatia. Aliás, levou gente consigo. Nizeuda Patrícia, filha do soldado Andorinha sobre quem já escrevi, também marcou presença. Meu amigo Marcelo Pinheiro, Fátima Pereira, Jéssica. Tive também a ilustre presença do notável professor Luis Negri, do IFRN. Como não sentir-se honrado com a presença de pessoas tão talentosas e cultas como Alessandro Nóbrega e Cristiane? 
Gilvan Oliveira, que tem desenvolvido trabalhos acadêmicos com base em textos meus chegou perto do encerramento, mas veio. 

Fiquei muito feliz com a vinda surpresa do múltiplo artista Francisco Martins, carinhosamente conhecido como Mané Beradeiro. Veio de Natal com este objetivo e decerto muito me emocionou.
Hoje escreveu em seu blog a respeito do evento.

Muitos ainda teria a citar - Josélia Queiroz e Dailva, por exemplo - mas o ponto final nervosamente me espera. Cristina Nunes, que tanto contribuiu incentivando outros a irem, Rogério Almeida que trocou os encantos de Natal por esta festividade e Roberto Gabriel bem sabem quão delicado é começar a citar nomes e esquecer algum amigo. O Sr Eudimar - homem que já teve o privilégio de dirigir para o ex-presidente Lula , não só veio como trouxe sua linda filha Juliana e seu filho Pedro Granjeiro.

Por fim, sinto-me extremamente feliz por ter merecido a confiança de Cleudivan, dono da CJA Editora, uma das mais expressivas do Nordeste. De acordo com suas palavras no evento, o livro já se encontra em mais de cem escolas do RN e tem tudo para se esgotar dentro de pouco tempo. Temos já alguns lançamentos agendados para outras cidades, inclusive para universidades.

Infinitamente grato sou a todos que por mim torceram, que me deram a mão, que apostaram na minha competência, que têm me procurado para justificar as razões de seu não comparecimento e para adquirirem o livro. Gente de outros estados e cidades - Zulene (MG e Washington Ribeiro (Barcelona)), por exemplo - têm feito tal procura. A todos que me incentivaram e ainda incentivam com palavras e ações, meu mais genuíno reconhecimento!