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sábado, 14 de maio de 2011

Entrevista em Poesia com Marcos Cavalcanti


GILBERTO

Me responda em poesia

tudo que eu perguntar

em verso branco ou escuro

não irei discriminar

fale-nos de sua infância

de alguma circunstância

que vive sempre a lembrar


MARCOS CAVALCANTI

Meu caro amigo Gilberto

Responder-lhe é bem preciso

Foram tantas as brincadeiras

Numa infância de sorriso:

Biloca, tô no poço, porrinha,

Garrafão, tica-tica, remandinha

Eis algumas que rememorizo

No palco da minha infância

Nas ruas do meu bairro Paraíso.


GILBERTO

Trace de si um perfil

em minibiografia

Diga quando despertou

seu amor à poesia

de seu apego à leitura

e grande amor à cultura

que pra sempre o marcaria


MARCOS CAVALCANTI

De quatro frutos sou o primeiro

Das árvores Quinca e Terezinha

Vivo feliz com a minha esposa

Ao lado de nossas duas filhinhas

A poesia foi gestada na leitura

E se é que eu tenho alguma cultura

Credito as quatro professorinhas:

Artes, filosofia, ciência e história,

São estas as minhas madrinhas.


GILBERTO

Grande Marcos Cavalcanti

na poesia tão forte

verdadeira sumidade

no Rio Grande do Norte

Você fica preocupado

quando às vezes é chamado

de O Poeta da Morte?


MARCOS CAVALCANTI

Se sumidade é sumido

Aceito o seu qualificativo

Mas não ligo para rótulos

Seja adjetivo ou substantivo

Se a minha poesia é forte

Tirou a força da morte

É por isso que estou ativo

Fazendo poesia necrológica

Para leitor morto-vivo.


GILBERTO

Por que o tema da morte

tem sido tão explorado?

O ter que morrer pra sempre

o deixa preocupado?

O que o faz escrever

é a vontade de ser

postumamente lembrado?


MARCOS CAVALCANTI

No Viagens ao Além-Túmulo

O tema da morte é o principal

Mas não apresenta novidades

Nada há de excepcional

A morte é apenas um processo

Como qualquer outro do universo

Um fenômeno simples e natural

Escrevo porque amo a poesia

Sem fardão ou pose de imortal!


GILBERTO

O que me dizes da rima,

do verso metrificado;

poesia é algo mais

que o verso bem comportado?

Quanto ao valor cultural

o que pensas afinal

do verso de pé-quebrado?


MARCOS CAVALCANTI

Gilberto, meu caro amigo

Eu não tenho competência

Para responder tal questão

Se a poesia é uma ciência

De medir, pesar e esquadrinhar,

Não sou eu quem vai regular

A poesia em sua essência

Nem engessar pé-quebrado

Com a minha incompetência.


GILBERTO

Que prêmios já recebeu?

que obras já publicou?

Em que palcos importantes

Você se apresentou?

nas declamações que fez

porventura houve uma vez

em que alguém o vaiou?


MARCOS CAVALCANTI

Não quero falar de prêmios

E são bem poucos, meu amigo

Não têm lá grande relevância

E estão cá, no coração que abrigo

O livro primeiro e sem acúmulo

Foi o Viagens ao Além-Túmulo

E o segundo que jaz comigo

Tem por título: Imarginário

É só isso e mais não digo.


GILBERTO

Você se diferencia

por se declarar ateu

quando foi exatamente

que a sua fé perdeu?

qual o grande argumento,

prova cabal, pensamento

que disso o convenceu?


MARCOS CAVALCANTI

Não é pouco o que me pedes

Para eu responder de repente

A fé que você mesmo tinha

Hoje já está bem diferente

E nem o melhor menestrel

Consegue por num cordel

Resposta única e convincente,

Por essa razão eu vos digo

Respeite-se o de fé e o não crente.


GILBERTO

"Sem Deus a vida é burra"

Afirma Diadorim

No Grande Sertão - Veredas.

Você também pensa assim

ou acha isso tolice?

Se acaso Deus existisse

seria bom ou ruim?


MARCOS CAVALCANTI

Sem Deuses e sem diabos na mente

Tenho vida plena, apoiado na razão

O Belo, o Bem, o Justo, a Virtude

Não são monopólios da religião

Aprendi muito com a filosofia

Com a literatura e com a biologia

Para ter a minha própria convicção

Que o mundo é como se apresenta

Seja você pelo sim, seja você pelo não.


GILBERTO

Você não acha que a fé

é algo essencial

que o mundo fica vazio

sem o sobrenatural?

A fé e a religião

não causam transformação,

evolução cultural?


MARCOS CAVALCANTI

Não quero ser tão redundante

Já lhe apresentei uma resposta

Muito simples, sincera e humilde

Não sei se alguém gosta ou desgosta

Vivo na natura, sou um ser natural

Sem metafísica ou sobrenatural

E não faço conjectura ou aposta

Que o desenvolvimento da cultura

Tenha só na religião a mesa posta.


GILBERTO

Que coisas da natureza

mexem com seu sentimento?

Recite um belo poema

e um belo pensamento

nas relações pessoais

quais conceitos morais

regem seu comportamento?


MARCOS CAVALCANTI

Das coisas da mãe natureza

Tudo me traz contentamento

A chuva, o mar, a serra, o sertão,

A flor, o sol, as estrelas e o vento,

E nas ações e relações interpessoais

Não alimentar preconceitos sociais

Andar na Lei, ter bom pensamento

Ser solidário, justo, amável e educado

Eis ai, meu poeta, o que sustento.


GILBERTO

O que é a poesia

para Marcos Cavalcanti?

por que defende a cultura

de maneira desgastante?

Nas batalhas que enfrentou

que sucessos alcançou

e qual se mostrou frustrante?


MARCOS CAVALCANTI

A poesia é o olhar de uma criança

É o assoviar sibilante do vento

É o leite da mãe que do seio brota

Para saciar a fome de seu rebento

Já a cultura, só enriquece, não desgasta

Passadista, ultramoderna ou iconoclasta

É luta sadia e sem arrependimento

Viver é combate! Disse um grande poeta

E eu faço disso, meu mandamento.


GILBERTO

Na cultura erudita

cite alguém que o fascina

e um que bem represente

a cultura nordestina

ainda dentro do tema

o que pensa do poema

Morte e Vida Severina?


MARCOS CAVALCANTI

Você me pede dois nomes

Mas um só nome diz tudo

Não há que se fazer distinção

O que seria um absurdo

Cultura erudita ou popular

Nas duas se pode conjugar

Um só nome “severino” , graúdo

Mais de cem livros nos escreveu

Mestre Luís da Câmara Cascudo.


GILBERTO

Qual sua maior virtude

e qual seu maior defeito?

política e religião

merecem nosso respeito?

E este mundo esculhambado

destruído e maltratado

acha que ainda tem jeito?


MARCOS CAVALCANTI

Analisou sua vida, Montaigne

Em seus ensaios imortais

“Conhece-te a ti mesmo”,

Ensinou Sócrates aos demais

Se eu tenho alguma virtude

Que com o tempo eu não mude

E os defeitos que são tantos e tais

Se transformem neste mundo absurdo

No mais nobre entre os nobres metais.


GILBERTO

Você mandou escrever

em palavras garrafais

ao lado de sua casa

assim: "Poesia e Paz"

entre Paz e Poesia

qual delas escolheria

qual dos termos vale mais?


MARCOS CAVALCANTI

Meu caro poeta Gilberto

Um mundo de poesia seria a paz

Um mundo de paz seria pura poesia

Essa conta, meu amigo, não se faz

Paz e Poesia são como dois estribilhos

São também como dois filhos

Não me pergunte qual vale mais

Porém uma coisa eu lhe garanto

Amo a poesia e o pacifismo contumaz.


GILBERTO

Fale sobre Santa Cruz

ressaltando seus valores

Suas últimas palavras

dirija a nosso leitores

e fale com emoção

de sua associação

de poetas e escritores.


MARCOS CAVALCANTI

Santa Cruz é o meu berço

É o meu torrão mais querido

Não há palavra que descreva

O que por ela tenho sentido

Ressaltar seu valor, a sua cultura

Por meio da arte e da literatura

É molhar no já bem chovido

A ASPE, sou eu, é você, quem quiser

Venha e serás mais um comovido.

domingo, 8 de maio de 2011

Entrevista em cordel com Gil Hollanda

Gilberto e Gil

GILBERTO

Quero agora entrevistar
O meu quase xará Gil
E pretendo começar
Com um grande desafio:
Faça uma biografia
Em forma de poesia
Trace de si um perfil.

GIL HOLLANDA

Meu nome é Gil Hollanda
Sou daqui da Capital
Do Estado da Paraíba
Bem no extremo Oriental
Onde o Sol nasce primeiro
Pra iluminar por inteiro
Nosso Brasil cultural.

GILBERTO

Quando foi que começou
Seu amor pela cultura?
Como e quando despertou
Para o prazer da leitura?
Quem é que mais o fascina
Na cultura nordestina,
Dentro da literatura?

GIL HOLLANDA

Tudo se deu no teatro
Numa peça de Ariano
Não me lembro muito bem
Pra dizer qual foi o ano
Era um texto em prosa e verso
Que retratava o universo
Do sertão paraibano

GILBERTO

Com obras que escreveu
Você já foi premiado?
Qual o tema ou matéria
Que mais o deixa inspirado?
E outra pergunta faço:
Seu amor pelo cangaço
Como é que foi despertado?

GIL HOLLANDA

Muitas obras publiquei
De cangaço e cangaceiro
Histórias em abecês
E futebol brasileiro
Com meus versos e canções
Ganhei honrosas menções
E até prêmios em dinheiro.

GILBERTO

Por que você se casou
Com uma mulher valente
Que tem alma cangaceira,
De Lampião descendente?
Diga sem pestanejar:
Por que gosta de apanhar
Ou por razão diferente?

GIL HOLLANDA

Digo sem medo e repito:
Por essa mulher valente
Que tem alma cangaceira
Vivo todo meu presente
Se apanho é só de amor
Pois ela é minha flor
Meu poema e meu repente.

GILBERTO

Muita gente o conhece
Como um bom cordelista
Mas você também escreve
No estilo modernista
Com enorme competência.
De quem recebe influência?
Seu estilo é drummonista?

GIL HOLLANDA

De Quintana e de Pessoa
De Drummond e de Bandeira
De Cabral e de Leminsk
(Modernistas de primeira)
Mas eu tenho a consciência
Que sofro grande influência
De alguns poetas de feira.

GILBERTO

Que trabalhos desenvolve
Dentro da educação;
Você ministra palestras,
Também faz declamação?
Já ganhou muito dinheiro?
Aqui ou no estrangeiro
Você faz aplicação?

GIL HOLLANDA

Meus cordéis em abecê
No meio educacional
São folhetos adotados
No ensino fundamental:
É o “Abecê do Cordel”
Mais que versos no papel
É projeto cultural.

GILBERTO

Conheci um cordel seu
Que me deixou intrigado:
A história de um cangaceiro
Que antes foi delegado
- um relato de primeira -
Tal história é verdadeira
Ou tudo foi inventado?

GIL HOLLANDA

Foi Liberato da Nóbrega
Sua história intrigante
De delegado a cangaceiro
Também me atraiu bastante
Botei, então, no papel
Pra ela virar cordel
E ser lida a todo instante.

GILBERTO

Jesuíno e Lampião
Como se diferenciam?
Em que eram antagônicos
e no que se pareciam?
Quanto a questões morais
Os dois foram muito iguais
Condenação mereciam?

GIL HOLLANDA

Digo que no seu cangaço
Jesuíno foi brilhante
Lampião, o Virgulino
Fez um cangaço gigante
Em épocas diferentes
E por razões coerentes
Sempre foram adiante.

GILBERTO

Qual é a grande lição
Que o cangaço nos ensina?
E o que você não gosta
Na cultura nordestina?
Pra o quê não tira o chapéu?
Considera o cordel
Poesia genuína?

GIL HOLLANDA

Se o cangaço foi cruel
Foi fruto da sociedade
Cangaceiro virou símbolo
De nossa brasilidade
Símbolo de resistência
Guardião por excelência
Por coragem e vontade.

GILBERTO

Fale-nos sobre política
Também de religião.
Sua opinião é crítica,
Qual é a sua visão?
Gil é um poeta herético,
Um crente em Deus ou um cético?
Fale sem embromação.

GIL HOLLANDA

Com relação à política
Tenho a minha simpatia
O PP é meu partido
Partido da Poesia
E quanto à religião
Tenho a minha devoção
A devoção por Maria.

GILBERTO

Cite uma poesia
Que o deixa emocionado
E a grande filosofia
Pela qual tem se guiado
Enfim, como complemento,
Cite um belo pensamento
Que o deixa arrepiado.

GIL HOLLANDA

Patativa me comove
Ao dizer com emoção:
“Meu verso é como semente
Que nasce arriba do chão
Não tenho estudo nem arte
A minha rima faz parte
Das obras da criação.”

GILBERTO

O que achou do programa
No qual foi protagonista
Junto com sua mulher
Dando tão bela entrevista?
Pode usar de falsidade
E elogiar à vontade
Pois só assim nos conquista.

GIL HOLLANDA

Parabéns, meus parabéns!
Digo com sinceridade
É programa nota dez
Adorei a qualidade
Você pode ficar certo
No seu programa, Gilberto
Tem cultura de verdade.

GILBERTO

Que pergunta eu não fiz
Que deveria ter feito?
Qual sua maior virtude
E qual seu maior defeito?
Se um gênio aparecesse
E ajuda oferecesse
Que mudaria em seu jeito?

GIL HOLLANDA

Eu não sei se é virtude
Ou se é algum defeito
De escrever somente em versos
Pois em prosa não tem jeito
Eu tento a primeira linha
Já vem uma rimazinha
Rimando com o sujeito.

GILBERTO

Despeça-se dos leitores
Pois chegamos ao final
Dessa curta entrevista
De caráter cultural
Diga sem hesitação
- mas fale de coração -
Se achou isso legal.

GIL HOLLANDA

Grande Gilberto Cardoso
Deixei meu ponto de vista
Em versos setissílabos
Se acaba aqui a entrevista
Valeu a oportunidade
E conte com a amizade
Deste amigo cordelista.

domingo, 24 de abril de 2011

Jadeize Marques e Kleyton





1
JADEISE obra-prima
que a natureza pintou
e extraiu de mil mulheres
o que nela colocou
por causa duma imprudência
criancice, inconsequência,
tão nova se acabou.
2
Jadeise era uma jovem
bela e bem-humorada
circulava com destaque
era muito cobiçada
mesmo a mulherada chique
perto desse Titanic
se sentia uma jangada.
3
Com apenas vinte anos
tanta vida pela frente
viu tudo se desfazer
num terrível acidente
Kleiton Anderson também
dum modo que não convém
morreu repentinamente.
4
Um jovem cheio de vida
e uma bela menina
foram-se de modo trágico
e tal fato nos ensina
a importante lição
que o vício, sem exceção,
com direção não combina.
5
Ficaram quatro famílias
tristonhas a lamentar
duas, por seus filhos mortos
tentam se recuperar
de uma dor desmedida
Remediando a ferida
que não vai cicatrizar.
6
Para tais familiares
fica nossa condolência
que tais acontecimentos
sirvam de advertência
a quem quer se divertir
não beba se dirigir
para evitar imprudência.

Vejam os videos: