sexta-feira, 30 de agosto de 2013

CONTEMPLANDO UM FAISÃO - Gilberto Cardoso dos Santos



É penoso depenar
um bicho assim pra comer
é até pecado matar
algo feito pra se ver
quem tal design criou?
que hábil mão o pintou?
gostaria de saber.

Este petisco da vista
é visual pregação
que faz qualquer ateísta
tremer na explicação
sua estética perfeita
desconserta quem rejeita
a ideia de criação.

Uma vontade ansiosa
sentimos de encontrar
esta mão habilidosa
capaz de o originar
uma arte sem artista
em nossa visão simplista
é impossível se achar.

Detalhes maravilhosos
Neste faisão multicor
mas dentes impiedosos
de um faminto predador
veem carne suculenta
para a mãe que amamenta
outro bicho encantador.

Tudo parece ser feito
para deleite do olhar
mas o design perfeito
não foi feito pra durar
finda-se toda magia
dentro da grade sombria
da cadeia alimentar.

domingo, 18 de agosto de 2013

É ÍMPAR OU PAR? JOGO PARA SEDUZIR GAROTAS




Vivemos uma realidade ímpar na história musical brasileira.  Na idade média de nossa história cultural, tivemos canções geniais proibidas pela censura. Vem-me à mente “Cálice”, de Chico Buarque, denunciadora desse período, e a representativa “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré. Aquele era um tempo em que a música cumpria uma função social relevante. Seus fins não eram puramente estéticos. A poesia, exuberante nas canções desse tempo, dava asas ao clamor de um povo e não era subserviente a um sentimentalismo medíocre. Não atendia a interesses mesquinhos. Depois veio-nos uma fase iluminista, vindicativa, em que os artistas injustamente perseguidos foram elevados à categoria de heróis. Foi uma época marcada pela liberdade de expressão. Mas a música foi perdendo expressividade e desembocou, infelizmente, em temível libertinagem.  
Ontem,  um carro com um paredão de som. Na carroceria, meninas. Pareciam ter entre 10 e 12 anos. A música perturbava pelo volume alto. Eis o que ouvíamos:

 “É ímpar, é par. (bis)
Se der ímpar você chupa
Se der par você me dá

Novinha, não sei seu nome
Mas agora vou falar
Inventar uma brincadeira
Que eu sei tu vai gostar

“É ímpar, é par. (bis)
Se der ímpar você chupa
Se der par você me dá.

[...]

 

Fiquei  espantado.  Antes de cantá-la, o vocalista disse:

“A gente vai brincar de par ou ímpar, tá bom?”

O eu da música, a léguas de ser poético ou lírico, tem como alvo alguém que ele chama de novinha. Pelo adjetivo escolhido, dá pra ver que a idade é muito importante. Ser nova não é suficiente: tem que ser novinha. Quanto mais nova, mais pueril, fácil de seduzir e desejável. É uma novinha de quem ele sequer sabe o nome, mas que importância tem o nome quando a criança é vista como mero instrumento de prazer?  E tudo deve ter a aparência de brincadeira para que a novinha não perceba a cilada em que está caindo. A esta novinha hipotética ele se dirige numa linguagem dócil, adequada à idade: “A gente vai brincar de par ou impar, tá bom?” E há toda uma coreografia a ser feita durante a música, incrementando mais ainda os aspectos lúdicos. O que é dito poderia vir na forma de mensagem subliminar e já seria altamente condenável. Mas não. Tudo é dito às claras e se é visto como inocente brincadeira é apenas pelas potenciais vítimas.

A genérica novinha aqui mencionada e seduzida tem sido evocada em várias outras músicas. Uma que fez muito sucesso dizia:

“Gostou, Novinha?
Ai, gostei!”

Geralmente é a "ela" que se dirigem em diversas músicas do gênero.

Enquanto ouvia o “É ímpar ou par”, raciocinava: Se um de nós dissesse estas mesmas palavras a qualquer garota entre 10 e 12 anos, poderia ser indiciado por pedofilia ou atentado violento ao pudor. Cadeia na certa. O eu poético dessa música, mesmo analisado superficialmente, não daria outra: é um pedófilo. No entanto, a Banda Grafith pode cantar isso livremente, inclusive quando honrosamente contratada por gestores públicos, com recursos destinados à cultura.

A música, chocante e preocupante para quem tem um mínimo de respeito à moral, é apenas uma amostra do repertório que o Grafithão tem para oferecer à juventude. A Banda Grafith não é a única que despeja em nossos ouvidos esses e outros lixos musicais. Esta música faz parte do repertório de muitas bandas de sucesso. Há quem pague caro, e à custa do povo, para trazer tais bandas. Talvez alguém diga que minha mente está demasiado fértil, que se trata apenas de uma música e que nada disso vem a ocorrer. De qualquer modo, há prejuízos:  termos chulos e expressões maliciosas são involuntariamente incorporadas ao vocabulário de mentes em formação; há um estímulo à sexualidade precoce e perda da pureza que deveria caracterizar determinadas fases da vida.

Fico pensando em crianças como aquelas que seguiam na carroceria, culturalmente emparedadas, que crescem diuturnamente ouvindo essas aberrações musicais e aprendendo a valorizá-las. Elas desconhecem o que há de bom em nossa música. Em casa, na TV, no rádio e no celular é o que ouvem. A música de verdade lhes parece bizarra e destituída de beleza. Luiz Gonzaga, Chico César e Zé Ramalho, quando ouvidos, lhes parecem patéticos e desprezíveis. Isso talvez explique, ao menos em parte, o alto índice de gravidez na adolescência, a libertinagem sexual que caracteriza os nossos dias, a perda de valores. Já imaginaram o potencial de depravação contido em letra como essas? Trata-se de incentivo à pedofilia feito da maneira mais escrachada, envolto em melodias que têm efeito hipnótico sobre nossos jovens. Pergunto-me o que poderíamos fazer para mudar esse estado de coisas. Para começar, os gestores públicos deveriam dar o exemplo, sendo criteriosos quanto a quem contratam. As escolas poderiam fazer frente unida para combater esse tipo de cultura. Promotores deveriam tomar as providências. A censura, talvez, devesse voltar. Não para fazer como antigamente, mas para impedir que tais bandas pudessem gravar estas coisas e circular livremente. Os filtros deveriam visar conteúdos maliciosos e que incentivam o consumo de drogas e a violência.
Se não fizermos algo a respeito, o que já está péssimo há de ficar bem pior.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

SOBRE O ROMANCE MEIA PATA, DE RICARDO DANTAS - Gilberto Cardoso dos Santos


Fui ao fórum de Santa Cruz. Levava comigo 4 exemplares do livro "Meia Pata". Trata-se do primeiro romance escrito por um santa cruzense, o biólogo Ricardo Dantas. 

Fui mostrá-lo ao também escritor e ávido leitor Naílson Costa.
Enquanto aguardava o instante oportuno, observei que um policial estava como que me encarando e olhando demoradamente para os exemplares. Queria fazer uma pergunta e fez:
- É gramática?

Aparentemente, tinha visto o título ao longe, rapidamente, e tinha se confundido. Deve ter me confundido com um desses vendedores de material para concurso.
Expliquei-lhe: "É um romance. Chama-se Meia Pata."
E ele disse meio desanimado:

- Ah, tá. Desculpa aí. Pensei que fossem gramáticas.
Imediatamente lembrei-me que vivemos num país repleto de pessoas que têm sérios problemas com o uso do próprio idioma. A escola tem priorizado o estudo da gramática e o resultado é conhecido de todos. 

Aquele policial, como tantos outros, não sabia que através da leitura de um bom romance fica mais fácil se familiarizar com a língua escrita. Ir no encalço da onça que nos espreita no capítulo inicial de Meia Pata é bem mais divertido e proveitoso que contemplar a classificação de onça-macho e onça-fêmea na jaula dos epicenos.

Voltando a Naílson, visível foi seu encanto diante do livro. Muito bem acabado, volumoso e de aspecto atraente. Não se trata de algo feito numa gráfica qualquer. Foi um livro que teve a aceitação da Editora Kazuá. Editoras sérias, como esta, não costumam apostar em obras irrelevantes, sem potencial. 
Naílson, como eu, percebeu a importância dessa obra para a história de nossa literatura.

Comecei a lê-lo e percebo que a trama é envolvente. O escritor é "dos Dantas", família que se notabilizou em nossa região pelo grau de inteligência dos que a compõem. Teixeirinha Alves se lembra de ter estudado com o autor e disse-me que nesse tempo o Ricardo já se destacava. A julgar pelo que lí, trata-se de uma obra bem escrita, digna de receber destaque na literatura potiguar.

O autor me remeteu dez exemplares e pediu-me o obséquio de vendê-los entre seus conterrâneos. Quem quiser adquiri-lo, procure-me no gcarsantos@gmail.com ou pelo (84) 99017248

domingo, 4 de agosto de 2013

DISCURSO DE GARY : "A melhor palestra que você irá ouvir na sua vida"


Alguns criticam Gary por seu discurso forte, ao passo que outros o elogiam pela paixão com que fala. De fato, quando estamos apaixonados por algo, tendemos a exagerar no que dizemos. No entanto, os objetivos de Gary são tão nobres, tão úteis à causa planetária, que deveríamos relevar quaisquer exageros.
A força com que ele fala não é mais carregada de emoção que o berro da mãe vaca, separada de sua cria para atender às necessidades humanas.
A sábia natureza fez de seus discursos um instrumento de expressão das dores daqueles que não podem falar. 
Ele tem se doado a essa causa, inclusive sido preso. Não há como questionar a pureza de seus gestos, embora muitos o considerem fanático.
Além de suas palavras, sua aparência física também testemunha a favor da causa vegana. Vale a pena ouvi-lo, nem que seja com a intenção de encontrar falhas em seu discurso a fim de poder criticá-lo com propriedade.

domingo, 28 de julho de 2013

A ESTRANHA MÚSICA DE DJAVAN - LAMBADA DE SERPENTE


Um amigo riu quando eu disse que Djavan tem um estilo musical estranho e belíssimo. Mas é isso mesmo que penso. Ele diz coisas e canta em melodias inusitadas, cheias de beleza.
Vejam só que expressão: "Lambada de serpente". Penso que ninguém nunca disse isso antes.
Nosso imaginário se acostumou com o sentido brega, folclórico, que foi emprestado ao termo lambada. Logo pensamos naquelas músicas de ritmo quente, comuns em festas populares de um passado não muito distante.
Mas vamos ao Dicionário Online, impulsionados pela curiosidade que Djavan nos causou, e descobrimos que lambada significa "Golpe aplicado com pau, chicote ou objeto flexível" e no sentido figurado "Crítica severa; descompostura". Claro que também significa "Dança e música sensuais e em ritmo rápido", sentido com o qual estávamos acostumados.
"Nunca ninguém falou como este homem", disseram a respeito de Jesus. Poderíamos dizer algo semelhante à obra de Djavan: "Nunca ninguém cantou como este homem".
Numa entrevista concedida ao jornal TRIBUNA DO NORTE, o cantor se mostrou familiarizado e despreocupado com a aplicação do adjetivo "estranho" à sua obra. Diz ele:

"Quando fui ser ouvido pela primeira vez pelos produtores, já houve essa polêmica. “Você tem algum talento, mas a música que você faz é muito estranha. Não se sabe onde está a primeira parte, é complicado, você tem que mudar isso, fazer uma coisa mais acessível para facilitar sua própria vida.” Tinham razão os que falavam assim, mas outros também disseram: “Não, essa coisa estranha é o seu trunfo, não mexa nisso. Você vai sofrer mais, vai ter mais problemas, mas vá em cima disso”.

A estranheza se dá, obviamente, pelo fato de estarmos a ouvir algo que nos parece inédito. Também por estarmos a ver uma coisa que, à primeira leitura/escuta, não nos penetra o entendimento. Quando nos pomos a tentar acompanhá-lo, sentimo-nos como se nos expressássemos num outro idioma. Sentimo-nos papagaios repetindo o que alguém disse. Todavia, aquilo que só entendemos a custo, nos soa belíssimo, extremamente poético. Por ser poético, compreendemos, trata-se de algo indizível. Temos que nos contentar com o pouco que conseguimos ver, mas que nos faz tanto bem. 

Ouça: LAMBADA DE SERPENTE - Rádio APOESC

Cuidá dum pé de milho
Que demora na semente
meu pai disse meu filho, noite fria, tempo quente

Lambada de serpente
A traição me enfeitiçou
Quem tem amor ausente já viveu a minha dor

No chão da minha terra
Um lamento de corrente
Um grão de pé de guerra
Pra colher dente por dente

Lambada de serpente
A traição me enfeitiçou
Quem tem amor ausente já viveu a minha dor



terça-feira, 23 de julho de 2013

A CIDADE DESARVORADA - Gilberto Cardoso dos Santos


A cidade amanheceu menos verde, menos oxigenada, menos ensombrada.

Pássaros retornaram para seus ninhos, mas, à semelhança da ave que Noé soltou após o dilúvio, não mais encontraram os galhos com que estavam familiarizados, e, diferentemente, não havia arca pra onde retornar... Pequenos insetos voltaram para o seu mundo, mas ele havia sido destruído. Outros se foram com ele.

Sim, a cidade amanheceu com menos árvores, menos pássaros, e com a natureza mais emudecida.

Profissionais, transeuntes, e vendedores ali se ilhavam, protegidos da inclemência solar e a rotina se tornava doce.

Aquela árvore frutificava em sorrisos, amores, olhares brilhantes. Clientes de banco ou familiares que ficavam à espera, desfrutavam de um tesouro que não cabe nos cofres.

Quantas mãos ali se apertaram, quantos abraços ali foram dados quanto dinheiro ali se contou! Era um dos poucos lugares onde pobres e ricos se encontravam, atraídos pelos instintos poderosos de nossas origens silvícolas.
                                                                                      
Ali, as motos esfriavam seus motores. Como uma mãe, a árvore as ninava, botava-as para dormir. “Aquietem-se! O povo está cansado desse barulho!”...

A conversa fluía com mais facilidade, o tempo deslizava mais suavemente.

Era uma sala (ao ar livre) de terapia para os mais idosos, uma ponte entre nós e a floresta. Uma mão da mãe Gaia que nos acariciava e nos protegia contra o sol e o tempo inclementes.

Era um oásis de sombra na selva de pedra. Ela nos pertencia, e foi-nos tirada sem que percebêssemos. 

Em A Árvore da Serra, de Augusto dos Anjos, o filho agarrou-se com o tronco e gritou: "Não corte a árvore, meu pai, para que eu viva!". Ele teve a chance de clamar em sua defesa, mas nós não tivemos essa oportunidade. E quando a árvore tombou, certamente também levou consigo um pouco de nós como ocorreu com o filho no poema.

A cidade amanheceu desarvorada. Desarvorada no sentido mais amplo. Desarvorado significa ficar transtornado, confuso, desorientado. E foi assim que se sentiram os que tiveram suas retinas feridas ao chegarem na praça, pois puderam enxergar melhor os riscos que corremos. 

Sentiram-se ofuscados pelo desapontamento.

Ao votar, sempre esperamos benevolência, sombra e água fresca dos que elegemos. Sonhávamos e ainda sonhamos com uma melhor gestão do meio ambiente. Mas a cidade, menos ensombrada, tornou-se assombrada com a possibilidade de ser engolida pela modernidade insana.

Não se sabe que razões levaram a atual gestão a fazer isso. O motosserra com sua voz irritante tentou explicar-me, disse que são ordens do progresso, mas não entendi bem o que me disse. Talvez os que a derrubaram também nada saibam. Apenas se lhes pediu que pusessem o capuz e se fizessem carrascos. Foram meros instrumentos da lei. Não sabemos como se sentiram ao dormir, com as mãos cheias de seiva...

Desmatar é matar.

Acho que os gestores públicos, à semelhança dos países democráticos onde há pena de morte, deveriam ter todo um protocolo ao praticarem tais penas. Burocracia aqui nunca seria demais. Tudo deveria ser examinado e reexaminado, prós e contras apresentados. Deveriam deixar bem claro à opinião pública as razões que os fazem exterminar tais e tais indivíduos e fazer tudo sem muita pressa para evitar o risco de matar uma inocente. Se tudo fosse antecipadamente esclarecido, quem sabe, não nos convencêssemos da justeza do que foi feito?

Cem ou mais árvores plantadas em seu lugar jamais substituirão aquela árvore. Mas ao menos gostaríamos de ter a certeza de que outras serão plantadas como consolo, assim como os pais que perdem um filho e tentam substituí-lo com outro...

Dizem que esta árvore era um marco da cidade, mas não era. Era um marco da natureza e da história,  um dos poucos que ainda nos restavam.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

OS ENDIVIDADOS - Gilberto Cardoso dos Santos


Quem tem contas a pagar
Não pode dormir direito
Pois sente um peso no peito
Na hora que vai deitar
Dá vontade de chorar,
Por não poder fazer nada
E tem que ouvir piada
De quem não entende o drama
Não há sossego na cama
Pra pessoa endividada.

Se o cara é acostumado
A pagar tudo que deve
Nem a sorrir se atreve
Quando está endividado
Passa o dia aperreado
Buscando uma solução
Fica naquela aflição
Pensando em limpar o nome
Vai comer mas não tem fome
É triste a situação.

Se o cabra é mau pagador,
Vai comprando sem pensar
Deixa o cartão estourar
Gasta sem nenhum pudor
Seu nome não tem valor
Mas ele não se importa
Gastos supérfluos não corta
Não tem medo de ameaça
E fica fazendo graça
Quando o credor bate à porta.

Já o cidadão direito
Que é pobre, mas honrado,
Só pensa em comprar fiado
Quando vê que não tem jeito
Quer manter um bom conceito
Perante a sociedade
E quando a calamidade
Faz quebrar o prometido
Ele se sente perdido
Sem a credibilidade.

São poucos, infelizmente,
Os homens que pensam assim
Eu digo e tiro por mim
Que procuro ser decente
Compro à vista geralmente
e quando deixo a pagar
tenho medo de falhar
na data dos compromissos
compras, com os seus feitiços
não conseguem me comprar.

Porém qualquer cidadão
Pode cair em cilada
Já vi muito camarada
Em triste situação
Por confiar num irmão
Sendo traído por sócio
Acaba sendo um beócio
Depois fica angustiado
Como quem morre afogado
Pensando no mau negócio.

Alguns acabam surtando
Ao pensar no que fizeram
E tanto se desesperam
Que acabam se matando
Isso finda piorando
O drama familiar
Pois além de não pagar
Deixa a família sofrendo
é melhor ficar devendo
que a própria vida tirar.

Muita calma nessa hora
é o conselho a se dar
porque se desesperar
aí a coisa piora.
Não deixe a paz ir embora
            Não aja feito criança
            Alimente a esperança
            Reme com tranquilidade
            E ao passar a tempestade
            Há de chegar a bonança.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

NA FEIRA DE SANTA CRUZ - Gilberto Cardoso dos Santos


 (mote de Jarcone Vital)

Tem carregador de frete
que foge com nossa feira
se o caba meter carreira
e alcançar o pivete
não pode dar um bofete
nem com ordem de Jesus
se a polícia o conduz
solta na beira da estrada
tem tudo e não falta nada
na feira de Santa Cruz

Na seção dos mangaieiro
Tem todo tipo de chá:
Capim-santo, manacá
Cabacinha, marmeleiro,
Tem casca de juazeiro
E banhas de tivassus
Ninguém se lembra do SUS
O chá resolve a parada
tem tudo e não falta nada
na feira de Santa Cruz

Tem muita mulher solteira
Muita menina cabida
Goma de beiju, batida
De limão e de carteira.
Tem punhal e tem peixeira
Garrafada de mastruz
Ovo de pato, avestruz
Banana podre esmagada
Tem tudo e não falta nada
Na feira de Santa Cruz.

Tem mulher que sai nas bancas
Se sacudindo faceira
Tentando fazer a feira
Com o balanço das ancas.
Diante dessas potrancas
O matuto se seduz
Acaba criando pus
Na região gangrenada
Tem tudo e não falta nada
Na feira de Santa Cruz.

Coco verde, coco seco,
Óleo de coco, cocada,
Quenga de coco raspada
E muita quenga no beco
Na banca de seu Pacheco
Que o preço jamais reduz
Sua mulher descompus
Pela carne mal pesada
Tem tudo e não falta nada
Na feira de Santa Cruz

quinta-feira, 4 de julho de 2013

MORRE MAIS UMA VÍTIMA DA CRIMINALIDADE - Gilberto Cardoso dos Santos



Eu não a conheci e meu objetivo aqui não é o de apresentar os fatos a seu respeito como num boletim de ocorrências.

Sei que se chamava Josefa, que cresceu carinhosamente sendo chamada de Zefinha, que depois passou a ser chamada respeitosamente de Dona Josefa e que frequentava atualmente a Igreja Mundial do Poder de Deus.

Na semana passada, enquanto voltava da igreja com uma menina de mais ou menos 11 anos, foi abordada por um jovem alto e mascarado, perto de um lugar comumente chamado Os Coqueiros, no Bairro do Paraíso.

Este saiu do matagal, encostou a arma na barriga da menina enquanto pedia seu celular e depois exigiu da mulher a entrega da bolsa.

A reação física imediata da senhora,  foi a de desmaiar, cair para trás. Aparentemente, bateu com a cabeça na parte dura do asfalto. Encontraram seu corpo em estado de convulsão, urinado.

O marginal sumiu na escuridão levando sua bolsa com a Bíblia dentro.

Naquela noite, um pai desesperado juntamente com a polícia local arriscou sua vida até altas horas tentando localizar o assaltante. Depois retornou para casa, desolado, amargurado pela infrutífera busca, indignado pelo drama vivido por sua filha e por aquela senhora que lhe servira de companhia.

De lá para cá, dona Josefa não foi mais a mesma.
Hoje, muito triste e surpreendida, a menina me disse na escola que dona Zefinha morreu.

Chegou a ser internada. Grandes foram os abalos físicos e psicológicos pelos quais passou naquela noite que lhe parecera de bênçãos. Hoje, quem sabe, ao dar seus últimos suspiros, desejou ardentemente partir deste mundo violento para outro lugar também chamado Paraíso onde viverá em paz sem necessidade de policiais e de um posto policial por perto.

As promessas bíblicas, convictamente repetidas por seu líder religioso de que “Mil cairão à esquerda e dez mil à tua direita e tu não serás atingido”, não foram suficientes para o estado de violência que se vive em Santa Cruz.

Não sei exatamente onde ela morava, só sei que provavelmente não morava no Paraíso, embora tivesse sua residência neste bairro onde lhe tiraram a bolsa, a Bíblia e a vida.

Morreu vítima da insegurança que nos tem amedrontado tão intensamente. Não se sabe quem estava por trás da arma, mas fazemos uma ideia de quem e do que está por trás desse estado caótico que nos assusta.

Lamentavelmente, perdemos mais uma cidadã cumpridora de seus deveres, alguém que vivia sob o temor de Deus e das autoridades; alguém que vivia em simplicidade e anonimamente deu sua parcela de contribuição para a melhoria de nossa gente. Morre vítima de uma abordagem estúpida, covarde, feita às 8:30 da noite em uma movimentada rua do Paraíso por alguém que contava e ainda conta com a certeza da impunidade.


Resta-nos indignar-nos por mais esta perda, chorar com os que choram. Resta-nos tentar contribuir, ainda que seja através de uma pequena crônica, para que mude esta situação!


segunda-feira, 1 de julho de 2013

CRIMINALIDADE ENTRE NÓS: ATÉ QUANDO? - Gilberto Cardoso dos Santos


Os assaltos, furtos e assassinatos continuam a suceder na Cidade Santuário. Nem santa nem leve é a cruz que temos carregado ultimamente.

Isso se tornou tão corriqueiro que os blogs nem mais se preocupam em noticiar, ou as pessoas não buscam mais os blogueiros para falar-lhes de suas angústias. Alguns devem temer represálias e outros sabem que tais notícias não mais causarão impacto na sociedade. De tão comuns, não aumentam os acessos.

A polícia, penso eu, acha-se sobrecarregada com tantas queixas e denúncias. Sente-se acuada e impotente diante da criminalidade crescente. Cheia de boas intenções mas, tolhida em suas ações por leis que favorecem a criminalidade, por insuficiência em seus quadros e falta de equipamentos e armamentos adequados. Feito um bicho valente, mas ferido e atacado por hienas.

Parece-me que a própria polícia e órgãos governamentais não têm muito interesse em divulgar tais fatos corriqueiros para não piorar a imagem daqueles de quem se espera solução.

Ontem, por exemplo, uma menina de seus 12 anos voltava da igreja com uma vizinha. Para sua surpresa, foi abordada no caminho para casa por um sujeito que pediu-lhe o celular. Eram 8:30 da noite. A menina, nervosíssima ante a surpresa, disse: “Moço, eu não tenho celular”, e de fato não tinha. Tentou correr, mas o jovem mascarado a segurou pela cintura e encostou um revólver em sua barriga. A evangélica mais velha com quem ia, não resistiu e caiu desmaiada. Chegou a urinar-se de tanto medo. O cara correu (ainda bem!) levando-lhe a bolsa onde havia uma Bíblia (torço muito para que ele a abra aleatoriamente e que caia no “Não furtarás”).

Há uns 4 dias, uma colega professora foi assaltada bem pertinho de casa. Levaram-lhe um celular e tudo o que lhe restara do salário mensal. Disse-me ela:


“Parece uma piada, faz mais de 1 ano que passo a semana em Natal e nunca fui assaltada por lá, quando chego aqui em Santa Cruz sou surpreendida por 2 rapazitos em uma moto e me levam o celular e o pouco que me sobrou do salário que recebi hoje.
Aí eu te pergunto: é pra rir ou chorar dessa situação? Nossa, está ficando arriscado andar pelas ruas de nossa cidade!!!”

Cito um último caso dentre os vários que conheço:
Assaltaram na outra semana, no sábado, pela segunda ou terceira vez, a casa de verduras que fica na rua da galeria.

Estes e outros crimes ocorridos em nossa cidade não têm sido noticiados com a frequência e intensidade com que se fazia antes. Tenho certeza que muitos outros estão ocorrendo sem que a população tome ciência deles.

Esta falta de informação sobre o que continua ocorrendo em Santa Cruz pode ser fatal para alguns que porventura venham a pensar que tudo voltou à normalidade.

Há uma clássica historinha de como se cozinhar uma rã que serve para ilustrar o que pode se dar conosco: para cozer uma rã, ponha n’água fria e vá esquentando a água aos poucos. A princípio, a aguinha morna, deliciosa, faz com que a rã não salte. Como vai esquentando aos poucos, esta nem percebe e acaba morrendo cozinhada.

Corremos o risco de nos acostumar com o que ocorre em nossa cidade. O valor da vida passa a ser banal para nós também. A aparente inevitabilidade do que de mal nos ocorre pode nos levar a cruzar os braços e a aceitar o estado caótico em que ora vivemos.

De algum modo, é necessário dar um basta nisso tudo. Precisamos arrancar a cizânia antes que esta se espalhe. Políticos, policiais, juízes, promotores e cidadãos conscientes: busquemos uma solução enquanto é tempo!


sexta-feira, 28 de junho de 2013

SÃO JOÃO PEDRO NO MUSEU - Gilberto Cardoso dos Santos


Antigamente havia
O São João da Boa Hora
E o povo se divertia
Como não se vê agora
pois o tempo foi passando
Tudo se modernizando
Ficando artificial
O forró não tem mais graça
Pois só fala de cachaça
E de coisa imoral

O Museu Auta Pinheiro
De novo quer resgatar
Um São João mais verdadeiro
De caráter popular
Com quadrilhas, com balões
bandeirinhas, foguetões
E sanfoneiro animado
com danças e brincadeiras
E o brilho das fogueiras
Iluminando o passado.

Dona Cleudia e seu esposo
Se esforçaram para dar
Um São João maravilhoso
Ao povo deste lugar
E graças à prefeitura
E aos amantes da cultura
Isto se tornou possível
Que esta noite nos encante
Seja de fato brilhante
E se torne inesquecível.

hoje é noite de alegria
No Museu Auta Pinheiro
De se entregar à folia
do santo casamenteiro
É tempo de esquecer
As tristezas do viver
É noite de gratidão
De olhar o céu estrelado
E dar um viva animado
A São Pedro e São João!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

TROTE NA DELEGACIA E OS CRIMES VIRTUAIS EM SANTA CRUZ - Gilberto Cardoso dos Santos


Como se não bastassem as ondas de assaltos, furtos e assassinatos em Santa Cruz, temos também os crimes virtuais.
Na semana passada, 11, quando fui fazer o boletim de ocorrência do sumiço de minha biz, enquanto aguardava o atendimento, meu celular tocou.

Uma voz de barítono disse-me que sabia onde estava minha moto. Perguntou-me se estava disposto a pagar determinada quantia para reavê-la. Enquanto conversávamos, coloquei no viva voz e  avisei por gestos ao policial Valmir o que estava ocorrendo. O cara deu detalhes da praça; disse que deixaria a biz diante do shopping, em frente à lojinha de DVDs. Mas antes eu deveria fazer um depósito na Casa Lotérica, numa conta que ele me passaria. A conta seria de uma pessoa falecida, de quem ele guardava o cartão e a senha.
Disse-lhe que estava muito grato, que nem importava saber quem era. Apenas queria que ele deixasse a biz em determinado lugar. Em seguida eu faria o depósito. Expliquei-lhe que era apenas por precaução, só para ter certeza que não se tratava de um trote, pois alguém poderia ter visto os dados sobre o shopping e a praça nalgum blog, bem como meu telefone (afinal, como ele teria conseguido meu número?).

Ele retrucou:
- Blog? O que é isso?
Expliquei-lhe que me referia à Internet, mas ele, tentando mostrar-se desatualizado disse “Não sei o que é isso não, moço.”

Fui conversando com ele, seguindo as orientações do policial, até que a ligação caiu. Era um trote.
Depois conferi e descobri que o número era de Brasília.
Abalado como estava, poderia ter sido fácil cair na conversa dele. Ainda bem que desconfiei.
Uma amiga minha, a quem muito prezo, caiu numa dessas. Pessoas que têm o coração bom, generosas, caem facilmente nesses golpes. O excesso de bondade as torna vulneráveis, mais que os outros.

A conversa foi mais ou menos assim:
- Olá, prima, tudo bem? Que bom falar com você...!
- Olá... mas qual é o primo com quem tô falando?
- Não acredito não, prima! Não vá dizer que não está reconhecendo minha voz!
- É Paulinho?

- Isso mesmo, prima! Eu sabia  que você ia reconhecer. Que saudade!
- Diga aí, Paulinho! Quanto tempo! Como vai a família, tá bem?
- Tá tudo bem, prima... mas eu tô ligando por causa de um probleminha. É que eu tô indo aí pra sua região, mas aconteceu uma zebrinha durante a viagem. Tô precisando de mil e quinhentos reais pra consertar o carro... blá bla blá
E o depósito foi feito.
Imagine a dor da perda de um dinheiro conseguido a duras penas e, principalmente, a tristeza por ter sido feito de idiota. Essas pessoas não são dignas de crítica. Qualquer um, dependendo do momento e da habilidade de quem está do outro lado da linha, pode cair numa dessas.

Soube, através do BLOG DE HÉLIO SILVA de outra que perdeu mais dois mil reais numa dessas conversinhas de pé de ouvido.

Todo cuidado é pouco. Vivemos numa selva tecnológica e muito temos a temer dos da mesma espécie.
Se acaso receber algum telefonema falando de sequestro de algum querido, com pedidos de ajuda ou parabenizando-o por tirar na sorte grande... respire fundo e procure usar a razão. Emoções nessa hora só atrapalham.

Mais do que nunca, devemos atentar para o conselho bíblico: “Maldito o homem que confia noutro homem.” Cuidado com o que postam no Facebook e em outras redes sociais. Alguns não soltam um pum sem comunicar isso aos seus contatos.


Para as conterrâneas e conterrâneos já que foram lesados, fica a nossa palavra de consolo: de alguma maneira, o prejuízo dos que fizeram isso será maior do que o vosso. Resta a vocês a habilidade para conseguir mais.

terça-feira, 18 de junho de 2013

RELIGIÃO VERSUS PRÁTICA - Gilberto Cardoso dos Santos

A Naílson Costa e sua mãe, a quem tanto ama.


Religião e teoria são quase sinônimos. Por isso, escolhi este título.
O que me fez desejar escrever este texto foi uma cena vista nessa manhã: Um filho acompanhava a mãe já velhinha, dando-lhe a devida atenção e suporte. Conheço bem o filho e sei que ele não é muito chegado a igrejas. Aliás, o pouco que vai à igreja é para fazer companhia à mãe. Por amor a ela, ouve pacientemente sermões que às vezes lhe soam indigestos. É um filho que continua tão ligado à mãe quanto quando lhe estava no ventre: apenas mudou de lado.

Vi-o a seguir com a senhora idosa e voltei ao tempo em que viveriam situações inversas: a mãe, paciente, esperando pelos passos lentos do filho ainda trôpego. Quem sabe, talvez, ali por aquelas mesmas ruas...  Talvez passeie com a mãe para atender-lhe um desejo que julga desnecessário, mas quer vê-la feliz, assim como ela procedia quando ele era pequeno e pedia para passear.

Trata-se de um irreligioso que segue à risca o que prescreve o quinto mandamento: “Honra teu pai e tua mãe”. Aquilo não necessita vir da Bíblia para penetrar-lhe o espírito: já está escrito em seu coração.

Que mais espera uma mãe idosa, cheia de achaques e feridas da alma feitas ao longo da vida, quando a morte já golpeou tantos entes que lhe eram tão caros? Resta-lhe a esperança de poder contar com o carinho de um filho; de ter alguém que lhe segure a mão enquanto completa a travessia.

Resta-lhe, talvez, o poder contemplar aqueles que lhe saíram do ventre, felizes como ela os concebeu desde o tempo em que ainda brincava de bonecas; restam-lhe alguns beijos e abraços e a esperança de ver pelos olhos embaçados “o fruto do penoso trabalho de sua alma”.

Este de quem falo é alguém que atingiu os alvos estabelecidos pela mãe: casou, construiu uma família bem ordenada, tornou-se benquisto pela sociedade e financeiramente não tem do que reclamar. Mas a possibilidade que ele tem de usufruir dos prazeres terrenos muitas vezes é substituída pelo prazer de estar com sua mãe. O mundo lhe oferece asas e a amplidão, mas ele prefere retornar ao ninho.

Ele sabe quão precioso é cada segundo que lhe resta ao lado dela. Seu olhar transpira gratidão quando busca lucidez naqueles olhinhos carinhosos ilhados nas rugas. Tudo que ele é deve a ela e ao inesquecível pai.
Em direção contrária, vão aqueles que tentam colocar a obra de Deus em primeiro lugar e negligenciam obrigações com a família. Estes, amam tão intensamente a religião quanto aqueles que não cuidaram do homem ferido no caminho de Jericó porque tinham pressa de chegar ao templo.

Nessa mão contrária vai o pregador de uma igreja que visitei recentemente. Fui para fazer companhia a um irmão carnal que nos visitava. A pregação estava boa. Teoria bonita que arrancava améns e aleluias. No final, o pregador pôs tudo a perder. Falou-nos de sua mãe. Obviamente, ocupado com a obra, não podia cuidar dela. Disse-nos o quanto ela sofria (parece-me que tinha câncer) e que a consolara com as seguintes palavras: “Nada posso fazer pela senhora, mãe. Entrego nas mãos de Deus, pois só Ele que tudo pode resolver.”

Aquilo, foi como que um espirro forte num bolo de aniversário recém-enfeitado. Foi como nadar, nadar... e morrer na beira da praia.
“NADA podia fazer?!”, perguntava-se meu irmão indignado depois do culto.  “NADA”, respondia eu com ironia.

Quanto ao amigo que pacientemente passeava com sua mãe pela rua da feira, sei que ele não espera, como recompensa por isso, herdar um lugar no céu. Também não é o temor do inferno que o move. É simplesmente amor. Gratidão. Aliás, céu pra ele é estar com os seus, principalmente com sua mãe. E o inferno começa quando ele se põe a pensar em muitos adeuses definitivos que ainda terá que dar...
Já outros, que têm um inferno a temer e um céu a desejar, não encontram nisto motivação suficiente para cumprir o quinto mandamento. Hipocritamente falam de um Deus que é Pai, e de Maria que é mãe, mas vivem longe do sentimento filial.

Não são religiosos no sentido de estar ligados a Deus, mas teóricos da fé.
Deus pai, que não se engana, sabe que estes o paparicam não com amor de filho, mas como aqueles que visam receber a grande herança... Ele sabe que, caso fosse dispensável como os pais terrestres em sua velhice, também seria lançado num asilo...

Todavia, esqueçamos os exemplos negativos. Fiquemos com os bons samaritanos modernos, aqueles que pouco conhecem a letra da lei, mas a vivem em sua essência. Deem-nos suas bênçãos, filhos bons! Continuem a pregar para nós que frequentamos os templos! Enquanto acontecem os serviços religiosos, façam companhia àqueles que necessitam de vossa presença. O Deus que se transubstancia na hóstia também estará no abraço e no aperto de mão que sustém o corpo frágil.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O POTIGUAR E A ÍNDIA



No dia dos namorados (12 de 06 de 2013) a TV Roraima veiculou uma reportagem especial sobre o biólogo, professor e escritor Ricardo Dantas, filho natural de Santa Cruz, RN, autor do romance MEIA PATA, casado com uma bela índia de nome Iara. 

O amor venceu barreiras geográficas e étnicas. Hoje, após inúmeros obstáculos, ele vive em Roraima com sua companheira, atua como professor da aldeia, e tem como hobby escrever e analisar com êxtase a rica fauna e flora que o circunda.

Pode haver um clima mais propício ao amor do que este?

Clique no link abaixo e assista a reportagem. Conheça mais sobre essa história e sobre a saga desse escritor que tem a honra de ser o primeiro autor santa-cruzense a publicar um romance.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

ALEGREM-SE COMIGO: MINHA BIZ FOI ENCONTRADA!

Agora à tarde, mais ou menos às 4:20,  Cassinha, que trabalha na vigilância de diversos pontos comerciais da rua da feira, foi à escola onde ensino para comunicar que encontrara minha biz. Nem dei o quinto horário e fui com ela até o beco da Casa da Cultura onde estava minha biz... intacta!
Cassinha disse que a encontrou de uma hora da manhã.

Não sabemos o que houve. Apenas quero dizer a todos que me ligaram, 
a todos que me enviaram alguma mensagem de apoio, 
aos que compartilharam meu link no Facebook, 
aos blogs de ÉDIPO NATAN, de JOSEILSON, de ANDRÉ FOTOS, e de LUCICLÁUDIO

Gostaria de valer-me das palavras de uma  parábola bíblica:

"Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida." - Lucas 15: 9

Sei que muitos, além de ligar, dedicaram parte de seu tempo para orar por mim. A estes também agradeço de coração pelo gesto de simpatia.

Minha especial gratidão a Cassinha, que procedeu com absoluta honestidade. Se eu fosse um comerciante naquele setor onde ela atua, não hesitaria em contratá-la para vigiar meu estabelecimento, pois deu prova de total lisura para comigo.

Pode haver um presente de Dia dos Namorados melhor que este?

MENSAGEM BEM PARTICULAR NO DIA DOS NAMORADOS - Gilberto Cardoso dos Santos


Alguém sensibilizado com o furto que me fizeram ontem, disse-me:
- Gilberto não sei o que lhe diga... o que devo lhe falar nessa hora?
Respondi-lhe:
- Dê-me os parabéns.
Diante da surpresa das pessoas, acrescentei:
- Estou vivo, inteiro, e tenho saúde. Algo pior poderia ter acontecido"
A pessoa entendeu o meu recado.
Mas eu acho que deveria ter acrescentado:

- Tenho uma esposa magnífica e uma filha que muito nos encanta, fruto de nosso amor.

Juntos estávamos no local em que o furto se deu. Pudemos nos amparar um no outro e retornar para casa felizes,  certos de que nos resta o que é mais precioso: um elo de amor que nos unifica. Perdemos algo, mas não perdemos o essencial.

Gostaria de dizer hoje, nesse dia dos namorados, à Maria Andrade dos Santos:

Querida namorada Maria: Hoje não temos mais biz para passear, mas podemos continuar dizendo bis à vida e à felicidade.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

A ARTE DA TRIBO OMO - Gilberto Cardoso dos Santos


A tribo Omo, uma das mais ricas representações da cultura africana, ganhou a alcunha de o povo pintado. Pessoas de todas as idades dedicam grande parte do tempo a enfeitar-se, a maquiar-se.
Esta prática, passada de geração a geração, os fez extremamente habilidosos na arte de traçar formas com as pontas dos dedos em seus próprios corpos.

Por razões estéticas, religiosas ou estratégias de defesa, valorizam imensamente a artificialidade que impõem às suas aparências.

Pobres em recursos, fazem do meio em que vivem o seu salão de beleza. Os recursos de que lançam mão estão ao seu redor, na vegetação e em substâncias de origem mineral, de onde extraem a matéria prima de sua arte. 

Trata-se de uma manifestação cultural pouco conhecida e pouco valorizada. São vistos como detentores e propagadores de algo rudimentar e primitivo. Todavia, eles nada deixam a desejar em sua arte, que requer habilidades especiais e capacidade criativa. 

Assim como ocorre com o povo OMO, há muitas manifestações culturais desconhecidas ou desvalorizadas. Culturas marginalizadas riquíssimas que não devem sucumbir à globalização.
Antes, carecem de holofotes e olhares não preconceituosos, capazes de vislumbrar suas reais grandezas.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

SE SER BOM NÃO TEM VALOR VOU SER RUIM PRA VER SE PRESTA - Gilberto Cardoso dos Santos

Mote de Daiane Rocha


Gilberto Cardoso:

Trabalho feito um jumento
Não gosto de enrolar
mas tenho que aguentar
briga e aborrecimento
não recebi um aumento
a patroa é desonesta
tudo que eu falo contesta
pra pagar é um horror
se ser bom não  tem valor
vou ser ruim pra ver se presta

só porque eu bebo cana
e gosto duma bolinha
a mulher me aporrinha
reclama toda  semana
Eu sou um genro bacana 
e levo vida modesta
mas minha sogra protesta
diz que sou esbanjador
se ser bom não tem valor
vou ser ruim pra ver se presta

hoje eu não vou fazer nada
não vou lavar o banheiro
vou deixar o dia inteiro
a casa desarrumada
vou me sentar na calçada
de tarde tiro uma sesta
vingança é o que me resta
prum marido traidor
se ser bom não tem valor
vou ser ruim pra ver se presta

eu vou cair na gandaia
vou beber, vou farrear
e se um clima pintar
hoje ele leva uma gaia
por qualquer rabo-de-saia
ele atrás se desembesta
até a mãe o detesta
não passa de um fingidor
se ser bom não tem valor
vou ser ruim pra ver se presta

Quando me candidatei
só pensava em trabalhar
pretendia apresentar
vários projetos de lei
porém me equivoquei
fiz uma campanha honesta
a oposição funesta
elegeu um ditador
se ser bom não tem valor
vou ser ruim pra ver se presta.

Tudo que ele pedia,
com o maior amor eu dava
mas ele só me xingava
e jamais agradecia
aí, quando foi um dia,
eu tava com a mulesta
meti-lhe um murro na testa
e ele gritou de dor
se ser bom não tem valor
vou ser ruim pra ver se presta.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

UM APELO À CONSCIÊNCIA

Com evidente inocência
Um menino de 3 anos
mexe com a consciência
De adultos seres humanos

Não faz parte de seus planos
Agir com incoerência
Destruindo subumanos
Pra sua subsistência

Que se defenda os gatinhos
Cachorros e passarinhos
Fontes de tanto lirismo

Mas o planeta quer mais
Pensem noutros animais
Vítimas do egoísmo!

Autor: Gilberto Cardoso dos Santos)