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domingo, 10 de abril de 2011

A GARRAFA



A GARRAFA

Que importa o caminho
da garrafa que atirei ao mar?
Que importa o gesto que a colheu?
Que importa a mão que a tocou
-- se foi criança
ou o ladrão
ou filósofo
quem libertou a sua mensagem
e a leu para si ou para os outros?

Que se destrua contra os recifes
ou role no areal infindável
ou volte às minhas mãos
na mesma praia erma donde a lancei
ou jamais seja por olhos humanos
que importa?

...se só de atirá-las às ondas vagabundas
libertei meu destino
da sua prisão?...

Manuel Lopes


Comentário:

Belo poema A Garrafa
valeu por muitos barris
do vinho mais valioso
bebido lá em Paris
veio nas ondas da net
e me tornou mais feliz.

Garrafa enxuta por dentro
e tão molhada por fora
impregnada do eu
de alguém que ao longe chora
me embriagou com palavras
na aridez dessa hora.



(Gilberto Cardoso dos Santos)

LEVANTAMENTO


LEVANTAMENTO (poema do poeta angolano Tomás Jorge)

há-de morrer o tempo
de dar diamantes.

quem os quiser
que os procure
com os próprios olhos
que os desenterre
com as próprias mãos.

contratado!
ergue-te
e põe nos olhos
todo o brilho
dos diamantes
que deste.



Belo poema de Tomás Jorge
é com certeza mui fascinante
colocou ouro no meu alforje
e ofuscou-me qual diamante
com a pepita que garimpou
Tomás cobiças me provocou
fez-me querer ser assaltante.

(Gilberto Cardoso dos Santos)